Cassete Pirata celebram 10 anos com festa em Lisboa e edição especial em cassete

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Uma década depois do primeiro concerto, ainda há qualquer coisa de artesanal na forma como os Cassete Pirata se movem.

© Pedro João

Como se cada palco fosse uma extensão de uma ideia inicial que nunca se fechou completamente. Abril traz esse ponto de encontro entre memória e continuidade: um objeto físico, um concerto, uma noite que parece mais ritual do que evento.

O regresso ao espírito de início faz-se agora com uma celebração marcada para 18 de abril, no Musa de Marvila, onde a banda propõe mais do que um alinhamento ou uma apresentação. Há um gesto simbólico logo às 22h, um brinde que serve de marcador de tempo, quase como se fosse necessário parar para perceber o que aconteceu nestes dez anos.

Uma década construída em palco

O ponto de partida remonta a 2016, no já desaparecido Popular Alvalade. Desde então, o percurso dos Cassete Pirata foi sendo desenhado em salas pequenas, festivais maiores, noites improváveis. Não houve um momento único de explosão, mas sim uma acumulação consistente de presença, público e identidade.

Esse crescimento fez-se muito através da relação direta com quem os acompanha. Concertos que se repetem em espaços que acabam por se tornar casas. Lugares onde o som evolui, mas a proximidade permanece. Essa lógica mantém-se agora, numa celebração que privilegia a partilha em vez do espetáculo isolado.

“Live Tape” como objeto e memória

A edição especial “Cassete Pirata Live Tape” surge quase como resposta a um pedido antigo. O formato cassete, longe de ser apenas nostálgico, funciona aqui como extensão da estética da banda: físico, imperfeito, tangível.

O conteúdo também segue essa lógica. O Lado A apresenta o concerto completo no Vodafone Paredes de Coura 2025, captando um momento recente e consolidado. Já o Lado B funciona como colagem de diferentes atuações pelo país, criando um mapa sonoro que não pretende ser definitivo, mas sim representativo.

Uma noite que se estende para além do concerto

Depois da listening party, a noite continua com DJ sets de Nino da Lágrima e Benjamim. A ideia não é fechar a celebração, mas prolongá-la. Criar um fluxo onde a música não termina com a banda, mas passa para outros corpos, outras escolhas.

Essa continuidade reforça a noção de comunidade. Não se trata apenas de revisitar o passado, mas de manter um movimento vivo. Um circuito onde artistas, amigos e público coexistem sem hierarquias rígidas.

Entre memória e futuro

A própria banda assume essa dualidade. Pir descreve a edição como um “miminho” para quem acompanhou o percurso, mas também como uma forma de fixar um som que inevitavelmente vai mudar. Há consciência de passagem do tempo, mas sem nostalgia paralisante.

Fica a ideia de arquivo, mas também de projeção. De escutar o que foi para perceber o que pode vir a ser. E talvez seja isso que sustenta a relevância destes dez anos: não um ponto de chegada, mas uma espécie de pausa breve antes de continua

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