Uma colaboração inesperada entre a nova eletrónica luso-britânica e o universo dos Tame Impala acaba de ganhar forma. Os Soma Please acabam de revelar “I’m a Fan”, o novo single que antecipa o EP de estreia ballet e traz consigo um nome que chama atenção imediata, Julien Barbagallo.
O tema já está disponível nas plataformas digitais e surge como terceiro avanço do projeto, depois de “Pockets On My Sleeves” e “Love”. A estratégia é clara. Criar antecipação consistente antes da chegada do EP marcada para 14 de maio.
Um single que joga com obsessão e identidade
“I’m a Fan” mergulha num território emocional específico. A relação entre admiração e excesso. A canção constrói-se sobre essa tensão, explorando o ponto em que gostar de alguém ou de algo começa a distorcer a perceção.
Há ironia no tom, mas também desconforto. A música reconhece o valor da ligação à arte e aos outros, mas questiona até onde essa ligação pode ir. Onde termina a inspiração e começa a obsessão.
Este equilíbrio conceptual encaixa bem na estética dos Soma Please. Um projeto que não vive apenas de som, mas também de ideias.
Um EP que mistura eletrónica e indie pop
ballet, o EP de estreia, promete consolidar essa identidade híbrida. A dupla trabalha num cruzamento entre a eletrónica e a urgência melódica do indie pop contemporâneo.
Não se trata apenas de fusão de géneros. Há aqui uma tentativa de construir um espaço próprio. Um território onde a produção eletrónica convive com estruturas mais diretas, quase pop, sem perder densidade.
Os temas já conhecidos mostram isso. Cada single aponta para uma direção ligeiramente diferente, mas todos mantêm uma coerência subtil.
Uma ligação entre Manchester e Portugal
Os Soma Please não são de um único país. Trata-se de um projeto luso-britânico.
A dupla é formada por Nuno Bracourt, português, e Rob Williamson, britânico. Conheceram-se em Manchester, Inglaterra, e desde então desenvolvem o projeto entre o Reino Unido e Portugal.
Essa base partilhada acaba por definir o som. Um pé em Portugal, outro em Inglaterra, com a música a refletir essa ligação entre cenas diferentes, tanto na produção como na forma como as influências se cruzam.
O primeiro single, “Pockets On My Sleeves”, marcou presença na BBC Radio e entrou no Top 10 da Antena 3, sinal claro de que o projeto começou a ganhar tração cedo.
Agora, com “I’m a Fan” e a aproximação do lançamento de ballet, a dupla posiciona-se de forma mais clara. Menos promessa, mais afirmação.
E a pergunta começa a surgir de forma natural. Isto é apenas o início ou já estamos a olhar para um projeto pronto para dar o salto?


