O blues vai ganhar um novo espaço em Portugal no final de maio. A primeira edição do Águeda Blues Fest acontece nos dias 29 e 30 de maio no Centro de Artes de Águeda e promete transformar a cidade num ponto de encontro para músicos, amantes do género e projetos ligados à comunidade local.

Entre artistas portugueses, nomes internacionais e um coro criado especialmente para o evento, o festival apresenta-se como muito mais do que uma simples sequência de concertos.
A programação distribui-se por duas noites com atuações no Auditório do Centro de Artes, sempre a partir das 21h30, apostando numa ligação direta às raízes emocionais e históricas do blues sem perder o lado contemporâneo e comunitário.
Um novo festival que nasce da ligação entre música e comunidade
A estreia do Águeda Blues Fest surge com uma identidade muito própria. O objetivo não passa apenas por trazer nomes ligados ao blues até Águeda, mas também criar um ambiente cultural participativo, próximo da cidade e das pessoas que a habitam.
Essa ideia ganha força através da criação do Águeda Gospel Choir, um projeto desenvolvido a partir de workshops ligados ao festival e pensado como extensão natural da programação. O resultado será apresentado ao público na segunda noite do evento, reforçando a dimensão coletiva desta primeira edição.
Num momento em que muitos festivais procuram apenas cartazes rápidos e consumo imediato, o Águeda Blues Fest tenta construir algo mais enraizado, colocando a experiência cultural e o envolvimento local no centro da proposta.
A primeira noite viaja pelas várias tradições do blues
A abertura do festival, a 29 de maio, começa com Peter Storm & The Blues Society, grupo português que celebra dez anos de atividade em 2025. Formada por José Reis, Jorge Oliveira, Bino Ribeiro e João Belchior, a banda apresenta um espetáculo centrado em temas originais e numa leitura intimista da história do blues.
Com dois álbuns editados, o projeto tem vindo a consolidar-se dentro da cena blues portuguesa através de concertos marcados pela experiência dos músicos e pela capacidade de cruzar diferentes linguagens do género sem perder autenticidade.
Mais tarde, sobe ao palco o Chino Swingslide Quartet. O músico espanhol apresenta-se em formato quarteto, explorando a relação entre guitarra slide, harmónica e secção rítmica num concerto que promete forte carga emocional e grande proximidade com o público.
O segundo dia aproxima gospel, soul e blues de Chicago
A programação de 30 de maio abre com Sugar Queen Blues, artista norte-americana conhecida pela mistura entre blues de Chicago, soul e gospel. Com presença regular em festivais europeus e três álbuns editados, Sugar Queen tornou-se uma das vozes mais carismáticas da atual cena blues internacional.
Os concertos da cantora costumam destacar-se pela intensidade vocal e pela forma como transforma histórias pessoais e tradições clássicas do blues em atuações diretas e emotivas.
A fechar o festival aparece o Águeda Gospel Choir, resultado do workshop desenvolvido ao longo do evento. Mais do que um encerramento simbólico, o concerto representa a dimensão participativa que o festival pretende construir desde a primeira edição.
O Centro de Artes de Águeda reforça a aposta na música ao vivo
O Águeda Blues Fest integra uma programação mais ampla do Centro de Artes de Águeda, que continua a reforçar a presença de concertos e projetos culturais diversificados ao longo de 2026. Entre os próximos eventos anunciados encontram-se também o FESTIM – Festival Intermunicipal de Músicas do Mundo e um concerto de Raquel Tavares.
Mas antes disso, o blues vai ocupar o centro da cidade durante dois dias. E para um festival que ainda agora começa, a sensação é de que existe aqui vontade de criar raízes em vez de apenas preencher calendário.

