A noite lisboeta volta a cruzar culturas, ritmos e linguagens urbanas no próximo dia 30 de maio, quando Pedro Mafama assume a curadoria da festa GANDAIA no BAILE da Casa Capitão.

O evento junta batida afro-lisboeta, influências árabes, rumba portuguesa e clubbing contemporâneo numa programação que parece desenhada para refletir a própria mistura cultural que hoje define grande parte da identidade sonora de Lisboa.
Mais do que uma simples festa, GANDAIA apresenta-se como uma extensão do universo artístico recente de Pedro Mafama. Um espaço onde tradição, periferia, dança e herança migrante convivem sem fronteiras rígidas.
“Gandaia” transforma-se numa experiência ao vivo
A origem da festa nasce diretamente do mais recente single de Pedro Mafama, “Gandaia”, lançado em fevereiro com participação de Petty, uma das vozes ligadas à génese dos Buraka Som Sistema. A faixa contou ainda com produção executiva de el Conductor e rapidamente se afirmou como um retrato das novas linguagens urbanas que atravessam Lisboa.
Entre batida eletrónica, referências populares e energia quase carnavalesca, “Gandaia” funciona como manifesto sonoro de uma cidade feita de encontros culturais permanentes.
A passagem desse universo para o contexto da Casa Capitão promete ampliar ainda mais essa dimensão coletiva e física da música. Não apenas para ouvir. Para ocupar espaço, corpo e pista.
DJ Marfox e Helviofox reforçam a ligação à batida de Lisboa
O alinhamento da noite inclui dois nomes fundamentais da batida afro-lisboeta: DJ Marfox e Helviofox.
Ao longo dos últimos anos, ambos ajudaram a construir uma identidade musical própria nas periferias de Lisboa, cruzando kuduro, afro-house, tarraxo e eletrónica de clubbing numa linguagem que acabou por ganhar reconhecimento internacional muito para além de Portugal.
A presença dos dois artistas em GANDAIA reforça precisamente essa ideia de continuidade cultural. Uma Lisboa onde os sons das comunidades africanas deixaram de ocupar margens para se tornarem centro criativo da cidade.
Sonoridades árabes e rumba portuguesa entram na pista
O cartaz abre ainda espaço para SAYA, artista palestiniana cuja abordagem mistura música eletrónica contemporânea com referências árabes e sonoridades ligadas à diáspora. A sua presença acrescenta uma nova camada identitária à noite, expandindo o conceito de mistura cultural para além do eixo habitual da música urbana portuguesa.
Outro dos momentos mais curiosos do evento será protagonizado por Moisés Montoya, ligado ao projeto La Família Gitana. Pela primeira vez, os teclados e ritmos da rumba portuguesa entram diretamente num contexto de clubbing em Lisboa.
Essa fusão entre tradição cigana, música popular e pista eletrónica encaixa perfeitamente no espírito da festa. Nada aqui parece preso a formatos fixos.
Lisboa continua a reinventar a própria identidade sonora
Eventos como GANDAIA ajudam também a perceber como Lisboa continua a transformar-se musicalmente através da mistura constante de culturas, bairros, linguagens e gerações. A cidade deixou há muito de funcionar apenas como ponto de passagem entre estilos musicais. Hoje cria uma identidade própria precisamente nessa colisão entre tradição popular, eletrónica, imigração e vida noturna.
Pedro Mafama parece compreender isso melhor do que quase ninguém da sua geração. E talvez seja exatamente por isso que GANDAIA soe menos a nostalgia e mais a retrato vivo do presente.

