Murex estreia-se com “Massacre” e há qualquer coisa de desconfortável a crescer nesta canção

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A estreia de Murex chega sem procurar suavidade. “Massacre”, lançado pela Young, move-se num território de avant-pop nebuloso onde a beleza parece sempre prestes a desfazer-se. A produção, feita pela própria artista no seu estúdio em Estocolmo, cria uma sensação de espaço vazio e tensão constante, quase como se a música respirasse de forma irregular.

O mais interessante está precisamente nesse choque entre fragilidade e violência emocional. “Massacre” não tenta ser imediata nem confortável. Há ruído, fome, desgaste e uma sensação física de queda lenta que acaba por dar identidade ao tema. Em vez de explodir, a canção vai corroendo aos poucos. E fica na cabeça por causa disso.

Para um single de estreia, existe aqui uma confiança rara. Murex percebe claramente o ambiente que quer construir e evita fórmulas previsíveis. “Massacre” não soa a apresentação calculada para playlists. Soa mais a uma artista a abrir uma porta estranha e escura, sem grande preocupação em facilitar a entrada.

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