O mistério continua a ser uma das armas mais poderosas dos Glass Beams. Numa época em que quase tudo é exposto nas redes sociais, o trio australiano escolheu o caminho oposto. Máscaras douradas, poucas entrevistas e uma música capaz de prender a atenção durante vários minutos sem precisar de uma única palavra.
Fundada em 2020, em Melbourne, pelo músico e produtor Rajan Silva, a banda nasceu durante o período da pandemia e rapidamente começou a despertar curiosidade entre os fãs de rock psicadélico, funk e música instrumental.
A sonoridade dos Glass Beams cruza influências da música indiana, psicadelismo dos anos 70, grooves hipnóticos e produção contemporânea. O resultado é uma identidade difícil de comparar com qualquer outro projeto atual. Muito do conceito surgiu da ligação de Silva às suas raízes familiares indianas e da vontade de criar uma ponte entre diferentes culturas musicais.
O primeiro EP, Mirage, lançado em 2021, colocou a banda no radar internacional. Já Mahal, editado em 2024, confirmou que o fenómeno estava longe de ser passageiro. Desde então, os Glass Beams têm acumulado atuações esgotadas, presença em grandes festivais e milhões de reproduções nas plataformas de streaming.
Para quem ainda não percebeu porque existe tanto entusiasmo à volta do trio, o melhor ponto de partida é a atuação gravada para a KEXP. O concerto mostra a banda em pleno controlo da sua estética sonora, entre riffs repetitivos, linhas de baixo profundas e uma atmosfera quase cinematográfica.




