Trafaria Bluegrass revela cartaz completo para a edição de 2026

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Nem todos os festivais crescem à procura de multidões. Alguns crescem porque criam raízes. Ao longo dos últimos anos, o Trafaria Bluegrass tornou-se um desses casos raros em Portugal: um evento construído à escala de uma comunidade que acabou por conquistar uma dimensão internacional sem perder a identidade local.

 

Entre os dias 11 e 13 de setembro, a vila da Trafaria recebe a quinta edição do festival, reunindo artistas de seis países e reforçando uma fórmula que continua a não ter equivalente no panorama nacional.

Um cartaz internacional com o Tejo como ponto de encontro

O cartaz de 2026 reúne músicos provenientes dos Estados Unidos, Irlanda, Bélgica, Suécia, Países Baixos e Portugal, confirmando a crescente projeção internacional do evento.

Entre os nomes mais aguardados encontra-se Erica Brown & The Bluegrass Connection. A violinista e cantora norte-americana chega do estado do Maine acompanhada pela sua banda, trazendo consigo uma das propostas mais respeitadas da cena bluegrass contemporânea.

Dos Países Baixos chegam os Tennessee Studs, formação com mais de duas décadas de carreira e uma longa história de atuações pela Europa e Estados Unidos. A representação sueca estará a cargo dos Rookie Riot, banda formada inicialmente com uma componente pedagógica e que rapidamente conquistou espaço próprio no circuito europeu.

A Irlanda marca presença através dos The Arbour Hillbillies, enquanto a Bélgica será representada pelos veteranos The Grassmobiel, músicos que ajudaram a consolidar a cena bluegrass no Benelux.

Portugal continua a ter voz própria

A componente nacional mantém um papel importante na identidade do festival. Os Stonebones & Bad Spaghetti regressam como um dos principais embaixadores portugueses do género, depois de anos a representar o país em festivais internacionais.

O cartaz inclui também os The Seven Hills Pickers, trio lisboeta que mistura tradição dos Apalaches com influências de jazz, blues, swing e música tradicional irlandesa. O grupo prepara-se para lançar o seu primeiro registo fonográfico no próximo dia 27 de junho, nos Recreios Desportivos da Trafaria.

Esta ligação entre artistas internacionais e projetos nacionais continua a ser uma das características mais interessantes do Trafaria Bluegrass, criando pontes entre diferentes tradições musicais sem perder autenticidade.

Muito mais do que um festival de música

Embora os concertos sejam o principal ponto de atração, o Trafaria Bluegrass sempre procurou ser mais do que um simples cartaz de atuações.

A programação paralela volta a incluir workshops, atividades para famílias, encontros informais entre músicos e público e diversas iniciativas pensadas para promover a participação ativa da comunidade local. Ao longo dos anos, esta dimensão humana tornou-se uma das marcas mais fortes do evento.

A acessibilidade também será reforçada em 2026 através da disponibilização de transporte gratuito pela Câmara Municipal de Almada, facilitando o acesso à vila durante os três dias do festival.

Uma história construída por muitas mãos

A edição deste ano ficará ainda assinalada pelo lançamento de uma banda desenhada inspirada na história do festival e nas pessoas que ajudaram a torná-lo possível. O objetivo passa por preservar memórias, episódios e personagens que marcaram o crescimento deste projeto cultural independente.

O Trafaria Bluegrass continua igualmente a contar com dezenas de voluntários e com uma campanha de crowdfunding aberta ao público, refletindo o espírito colaborativo que o acompanha desde a primeira edição.

Criado pelos Recreios Desportivos da Trafaria e pelo músico André Dal, o festival consolidou-se como o único evento inteiramente dedicado ao bluegrass em Portugal. Cinco edições depois, continua a crescer sem perder a proximidade que o tornou especial. E quando setembro chegar, as ruas da Trafaria voltarão a provar que algumas das viagens mais longas começam precisamente junto ao mar.

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