Trinta anos depois, os Sublime voltaram. Só esta frase já parece estranha. Durante muito tempo, a banda existiu como uma memória congelada nos anos 90, inseparável da figura de Bradley Nowell e daquele equilíbrio improvável entre reggae, ska, punk e melodias que pareciam nascer sem esforço. Until the Sun Explodes chega carregado de expectativas e, talvez por isso, a sua maior virtude seja não tentar fazer o impossível.

O regresso possível
Jakob Nowell, filho de Bradley, assume o microfone sabendo que nunca conseguirá escapar às comparações. E talvez seja precisamente por isso que o álbum funciona melhor quando deixa de tentar competir com o passado.
A voz tem ecos familiares, mas Jakob evita transformar tudo numa imitação. Existe carinho, respeito e até uma certa vulnerabilidade. O disco soa menos a uma ressurreição e mais a uma conversa entre gerações.
O ADN dos Sublime continua vivo
Musicalmente, tudo está onde os fãs esperam encontrá-lo. As guitarras descontraídas, os ritmos reggae, as explosões punk e aquele ambiente de praia californiana continuam presentes.
“Ensenada” recupera o espírito mais solar da banda, enquanto “Come Correct” mostra um lado mais dub e experimental. A faixa-título, emocional e sincera, acaba por ser o coração do disco. Não é difícil imaginar porque razão ocupa um lugar tão especial para Jakob.
Há momentos em que o álbum consegue recordar porque os Sublime eram tão únicos. A química entre Eric Wilson e Bud Gaugh continua intacta e isso sente-se em praticamente todas as canções.
Falta alguma imprevisibilidade
Mas Until the Sun Explodes também tem limitações. O álbum é longo e algumas músicas acabam por repetir ideias já conhecidas. O lado caótico e espontâneo que tornava discos como 40oz. to Freedom tão especiais aparece aqui mais controlado.
Por vezes, a sensação é a de ouvir músicos a prestar homenagem ao próprio passado. Falta aquele elemento inesperado, aquela loucura que fazia os Sublime parecerem uma banda impossível de domesticar.
Ainda assim, mesmo quando não surpreende, o disco raramente deixa de ser agradável. Existe humanidade suficiente para impedir que tudo se transforme num exercício de nostalgia.
Um disco sobre gratidão
Talvez o maior triunfo deste regresso seja emocional. Until the Sun Explodes não tenta substituir nada nem ninguém. É um álbum construído sobre a memória, mas sem ficar aprisionado nela.
Não é um clássico à altura dos trabalhos dos anos 90. Nem precisava de ser.
É um disco caloroso, sincero e, por vezes, tocante. Um álbum feito por músicos que perceberam que algumas histórias não precisam de recomeçar. Basta continuarem a respirar.
Classificação Musicatotal: 8/10
Melhores momentos
- “Until the Sun Explodes”
- “Ensenada”
- “Come Correct”
- “247-369”
No fim, fica aquela sensação rara de ouvir uma banda que já não tem nada para provar. Talvez seja por isso que este disco sabe mais a despedida do que a regresso. E curiosamente, é nessa serenidade que os Sublime voltam a encontrar alguma da sua magia.
Sublime regressam com “Until the Sun Explodes”, o primeiro álbum em quase 30 anos



