Terça-feira, 13 de Outubro de 2026
Entrevista

aBAND’onados: «Queremos muito levar “Ser Motard” de norte a sul, numa rota sem fim»

Por Mafalda Matos 13 Out 2026
Os aBAND’onados encontraram nas concentrações motards o cenário certo para dar vida a «Ser Motard», tema do álbum Baixar os Braços (Não). Filmado durante uma atuação na IV Concentração do Moto Clube Motores da Plaina, em Martim, o videoclipe capta a energia do concerto, a ligação ao público e o espírito de comunidade que atravessa a canção.
Nesta entrevista ao MusicaTotal.net, a banda de Coimbra fala sobre a experiência de tocar perante uma comunidade que reconhece nas letras a sua própria forma de viver, a importância de cantar rock em português e a vontade de levar «Ser Motard» a mais concentrações de norte a sul do país.
Entre a estrada, a amizade e a preparação de novos temas, os aBAND’onados olham para o futuro sem perder de vista aquilo que os une. O próximo capítulo passa pela composição, pelo estúdio e por novos concertos, com a identidade da banda a continuar a ganhar forma em palco.
“Ser Motard” foi filmado durante uma concentração real, perante o público e dentro do ambiente que a própria música retrata. Porque sentiram que esta era a melhor forma de contar visualmente esta canção?
Ricardo Serra: Tinha de ser assim! Para além do ambiente que queríamos transmitir naturalmente no videoclipe, existe também o facto de a generalidade dos motards serem bons apreciadores de rock. Além disso, qualquer detalhe da letra está representado em algum momento do vídeo, e isso também fazia parte do plano: levar para o ecrã aquilo que está a ser cantado.
O concerto aconteceu na IV Concentração do Moto Clube Motores da Plaina, em Martim. Que memória ficou dessa noite e o que mais vos surpreendeu na reação do público?
Pedro Amado: A memória que ficou foi ver e sentir a energia do público ao ouvir os nossos temas, principalmente quando tocámos «Ser Motard», momento em que vimos o público a cantar connosco. Isso mostra que o tema foi aceite pela comunidade motard que ali se encontrava e que as pessoas se identificaram com ele.
Existe uma diferença entre tocar «Ser Motard» num concerto normal e tocá-la perante uma concentração motard. Sentiram essa diferença em palco?
João Vilela: Claro que sentimos, especialmente quando tocamos esta música nas concentrações, onde a malta sente mais a letra e vive tanto ou mais do que nós a mensagem que está a ser transmitida. Além disso, é uma música que me dá imenso gozo tocar.
A música fala de estrada, liberdade, convívio e comunidade. O que significa, para vocês, «ser motard» para além da própria paixão pelas motos?
João Vilela: Aqui sou parcial, porque também eu sou motard e vivo com intensidade a paixão pelo mundo das motas. Ser motard, para mim, é ter um dia mau, pegar na mota e esquecer tudo; é estar a centenas de quilómetros de casa, fazer a saudação motard e recebê-la de volta. Sentimos sempre que nunca estamos sozinhos. É conviver com malta que tem a mesma paixão que nós e, claro, volta e meia, também é beber uns copos valentes!
Como nasceu a parceria com o Moto Clube Motores da Plaina e de que forma essa relação contribuiu para a realização do videoclipe?
Ricardo Serra: Já tínhamos estado na Concentração do Moto Clube Motores da Plaina, em 2024, e sabíamos que, dentro das possibilidades, era o local ideal para fazer este trabalho. Quando apresentei a proposta ao Moto Clube, senti logo o entusiasmo e percebi que a porta estava aberta a partir daquele momento.
Tenho de referir que existiram outros contactos e quero agradecer a todos os Moto Clubes por terem avaliado a nossa proposta. No entanto, por incompatibilidade de agenda ou por não estarem reunidas as condições que idealizávamos para o trabalho, tivemos de ir excluindo opções.
O vídeo é construído a partir de imagens reais do concerto. Houve algum momento captado pelas câmaras que, quando viram o resultado final, vos tenha marcado particularmente?
Pedro Amado: O que mais nos marcou foi ver imagens do público a cantar e a divertir-se ao longo do concerto. Mostra que estamos no caminho certo e dá-nos entusiasmo para continuar.
«Ser Motard» faz parte de Baixar os Braços (Não). Hoje, depois de apresentarem o álbum ao vivo e de o levarem para diferentes palcos, ouvem esta música de maneira diferente daquela em que a gravaram?
Basílio: Se considerarmos que quem nos vê e ouve é amante das duas rodas, a resposta é sim, ouvimos de forma diferente. Isto acontece porque já temos uma imagem mental da música depois de a tocarmos ao vivo, algo que não temos aquando da sua gravação.
Os aBAND’onados são uma banda de Coimbra, mas existe agora a intenção de levar esta música a concentrações e eventos motards de norte a sul do país. Que tipo de palco gostariam de conquistar a seguir?
Basílio: Está bem explícito na própria letra da música: «Em Góis ou em Faro, eu vou lá estar». Tendo em conta a grandiosidade destes eventos motards, estes seriam os principais palcos que nos fariam arrepiar ao começarmos a tocar os primeiros acordes em palco.
Ricardo Serra: Se há algo na nossa música que posso garantir é que será sempre cantada em português. Queremos continuar a contar histórias de vida em que as pessoas se revejam ao ouvir as nossas músicas. Podem ser histórias reais ou não. O importante é que o público se identifique com esta ou aquela música.
Também podem contar com temas à imagem de «Justiça em Portugal», «Este País» e «Ao Metro», pois a crítica também é algo com que a banda se identifica e onde o rock está bem presente.
Daqui em diante, vamos continuar a trabalhar e a explorar o nosso som, afirmando a nossa identidade dentro do panorama nacional.
Depois deste primeiro álbum, o que descobriram sobre os aBAND’onados que não sabiam quando começaram a trabalhar em Baixar os Braços (Não)?
Pedro Amado: Este álbum mostrou que, mesmo que as coisas nem sempre corram como desejamos, a nossa união, amizade e cumplicidade têm vencido sempre. Descobrimos agora que, juntos, conseguimos contornar as adversidades e atingir os nossos objetivos.
João Vilela: É difícil responder, porque sinto que já nos conhecíamos muito bem antes do álbum. Acho que, acima de tudo, descobrimos, se bem que considero que ainda estamos a descobrir, a nossa identidade enquanto músicos e, sobretudo, enquanto banda.
Temos gostos e ideias diferentes, mas acho que agora sabemos melhor para onde queremos ir, o que resulta e, acima de tudo, o que não resulta. Descobrimos também que, apesar de termos todos vidas bastante ocupadas, pois nenhum de nós faz música a tempo inteiro, é possível juntarmo-nos e fazermos coisas porreiras e com originalidade.
Se pudessem escolher uma estrada, uma cidade ou uma concentração em Portugal para levar «Ser Motard» ao vivo, qual escolheriam e porquê?
Ricardo Serra: Para ser muito honesto, escolheria todas! Queremos muito levar «Ser Motard» «de norte a sul, numa rota sem fim».
O videoclipe termina este capítulo ou abre uma nova etapa para os aBAND’onados? O que podemos esperar da banda nos próximos meses?
Basílio: A ideia é abrir novas etapas, mais precisamente neste tipo de eventos. Foi por esta razão que gravámos o videoclipe, que representa o bom ambiente, o convívio e a boa energia que se vivem nas concentrações motards, mostrando que nos encaixamos perfeitamente como banda nestes eventos de duas rodas.
Ricardo Serra: Os próximos meses vão ser dedicados à composição de novos temas e à gravação dos mesmos em estúdio. Ainda este ano, vamos participar num lançamento de versões dos Balbúrdia, em celebração dos seus 30 anos, com a música «Sacrifício Por Ti».
O público pode sempre encontrar-nos na estrada, pois vamos continuar a dar concertos e estamos já a trabalhar na agenda de 2027.
Mafalda Matos

Mafalda Matos é jornalista no Música Total, onde assina sobretudo peças sobre [novidades musicais / entrevistas / cultura regional]. Com [10 anos] ligada ao jornalismo cultural, tem acompanhado de perto [festivais, lançamentos nacionais, etc.] e é uma das vozes mais regulares do Radar Nacional e da secção de Entrevistas do site.

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