Álvaro Manuel Furtado Carreiro, conhecido entre amigos como Alvarim, nasceu em Ponta Delgada a 6 de outubro de 1961. A música entrou cedo na sua vida. Tinha cerca de oito anos quando começou a reparar nas jukeboxes das festas do Santo Cristo, onde uma moeda permitia escolher uma música e fazer rodar um disco de vinil.
Roberto Carlos era uma das vozes que mais ouvia naquela época. A memória dessas jukeboxes ficou associada aos primeiros momentos em que percebeu o poder que uma canção podia ter. Muito antes de pensar em bandas, palcos ou ensaios, a música já fazia parte do seu quotidiano.
Aos 12 anos, aprendeu a tocar violão com o tio Artur Pastor. Começou pela música popular e pelo folclore dos Açores, uma aprendizagem que lhe deu os primeiros instrumentos para transformar aquilo que ouvia em música tocada pelas próprias mãos.
Aos 16 anos, o universo sonoro começou a mudar. Na Escola Secundária, através dos amigos, descobriu Beatles, Rolling Stones, Deep Purple, Supertramp e outros nomes que abriram caminho para o Rock. As novas referências não apagaram o que tinha aprendido. Acrescentaram outra dimensão ao seu percurso.
“Não é começar de novo. É continuar, mas com uma página ainda em branco.”
Do violão ao primeiro projeto de Pop/Rock
A vontade de tocar com outros músicos acabou por ganhar forma. Em junho de 1982, Alvarim foi um dos fundadores do DRM com Jorge Paulo Moniz, a sua primeira banda de Pop/Rock.
A criação do DRM marcou uma passagem importante. O jovem que tinha começado a aprender violão através da música popular e do folclore açoriano estava agora envolvido numa banda influenciada pelo universo do Rock que tinha descoberto na adolescência.
O caminho seguiria por diferentes formações.
No início dos anos 90, Alvarim fez parte de Os Manos. Mais tarde, ainda durante essa década, juntou-se aos Os Académicos. Foram anos de aprendizagem e de experiência em diferentes contextos musicais, sempre com o palco como parte importante do percurso.
Em 2003, integrou a Banda.com. A ligação teve uma interrupção temporária de cerca de ano e meio, mas Alvarim regressou em outubro de 2009 e permaneceu na formação até outubro de 2012.
A cada projeto acrescentava-se uma nova experiência. Não houve uma única banda a definir o seu percurso. Foram várias formações, diferentes músicos e repertórios distintos a construir uma história que continuava a avançar.
Rock, Baía dos Anjos e os anos de palco
O percurso de Alvarim também passou por Mr. Jack e Knucklehead, duas bandas ligadas ao Rock que atuavam habitualmente no Baía dos Anjos.
O espaço faz parte de uma determinada memória da música ao vivo em São Miguel, numa época em que os concertos dependiam de uma rede de bares, salas e espaços onde as bandas encontravam o seu público.
Para um músico, isso significava muito mais do que subir ao palco. Havia ensaios, equipamento, deslocações, montagens e desmontagens. E havia a convivência entre músicos, uma parte muitas vezes invisível de qualquer percurso feito durante décadas.
Alvarim foi atravessando esses diferentes momentos sem abandonar o instrumento.
Da primeira banda de Pop/Rock aos projetos que mantém atualmente, o seu percurso foi sendo construído de forma gradual. Sem um único momento que explique tudo, mas através de uma sucessão de experiências que se foram acumulando.
Os palcos continuam no presente
Hoje, Alvarim mantém-se ativo em três projetos musicais.
Nos Blackjackers, fundador da Banda é o Clayton Carneiro, toca habitualmente uma vez por mês no Casino Açores, continuando ligado ao circuito regular de música ao vivo.
Integra também os Dionísio Garcia & Blues Rockers, projeto que cruza Blues e Rock e que tem levado a sua música a diferentes espaços de São Miguel, incluindo Ponta Delgada e Vila Franca do Campo.
A formação tem mantido atividade regular na ilha. Em 2024, por exemplo, atuou no Casino Açores e na Baía dos Anjos, em Ponta Delgada. O projeto continua a marcar presença na programação musical de São Miguel.
O terceiro projeto aponta para um território diferente.
Com os Fipos, Alvarim está a trabalhar em temas originais que deverão ser apresentados ao público em 2027.
É uma mudança significativa no percurso. Depois de décadas ligado a bandas e projetos com repertórios próprios, surge agora a possibilidade de apresentar música original construída dentro de uma nova formação.
A próxima etapa ainda está por escrever
É fácil olhar para o percurso de Alvarim e transformá-lo numa sucessão de nomes e datas. Mas a história começa antes disso.
Começa numa criança de oito anos a ouvir Roberto Carlos numa jukebox durante as festas do Santo Cristo. Continua com o violão que o tio Artur Pastor lhe ensinou a tocar. Passa pela música popular e pelo folclore dos Açores e ganha outra dimensão quando, aos 16 anos, os Beatles, os Rolling Stones, os Deep Purple e os Supertramp entram na sua vida.
Em 1982 surge o DRM. Depois vieram Os Manos, Os Académicos, Banda.com, Mr. Jack e Knucklehead. Diferentes fases, diferentes músicos e diferentes palcos.
Hoje, os Blackjackers e Dionísio Garcia & Blues Rockers mantêm Alvarim ligado à música ao vivo.
E os Fipos com originais de Filipe Martins do Vale, abrem uma porta para o que ainda não foi ouvido.
Os temas originais previstos para 2027 podem representar uma nova fase, mas também podem ser vistos como consequência natural de tudo aquilo que veio antes. Depois de tantos anos a tocar música, chega o momento de descobrir o que acontece quando essa experiência passa também para a criação.
Não é começar de novo.
É continuar, mas com uma página ainda em branco.

