O adufe, o cante e os sintetizadores encontram-se em DELÍRIA, o primeiro álbum a solo de ANTERA, artista algarvia que cruza referências da música tradicional portuguesa com a eletrónica, o dream pop e a experimentação sonora. Com oito canções, o disco chega a 9 de outubro e nasce de um olhar sobre a memória, a perda e os momentos que alteram a nossa relação com o mundo.
Em vez de procurar uma reprodução fiel das raízes musicais portuguesas, ANTERA retira-as do lugar habitual e coloca-as em contacto com outras sonoridades. O resultado parte de referências reconhecíveis, mas procura um caminho próprio, entre a dimensão orgânica dos instrumentos e as possibilidades da produção eletrónica.
O título não é alheio a essa procura. DELÍRIA nasceu da vontade de explorar os momentos em que a lucidez e a imaginação se confundem, sobretudo quando uma rutura ou uma experiência difícil muda a forma como vemos aquilo que julgávamos conhecer.
Uma tradição que não fica quieta
O adufe e o cante português transportam consigo uma memória coletiva. Em DELÍRIA, esses elementos não aparecem como simples referências ao passado. Entram num diálogo com sintetizadores, ritmos eletrónicos e paisagens sonoras que alteram a sua função e o contexto em que são escutados.
A produção criativa, desenvolvida com Metamito, Sickonce e Diogo Lima, acompanha esta aproximação entre universos distintos. A música tradicional portuguesa funciona como uma das bases do projeto, mas a eletrónica e o dream pop abrem espaço a outras texturas e ambientes.
É nesse encontro que se desenha a identidade sonora do álbum. A intenção não parece ser escolher entre tradição e modernidade, mas perceber o que acontece quando ambas deixam de ocupar territórios separados.
Entre a lucidez, a perda e o sonho
«Chamei-lhe DELÍRIA como lugar entre lucidez e sonho, um olhar que sai de si em estados de grande colisão com o mundo», explica ANTERA.
A declaração ajuda a compreender a dimensão emocional do projeto. A perda, o desamor, o medo e a violência surgem como experiências capazes de abalar certezas e modificar a maneira como cada pessoa se relaciona com aquilo que a rodeia.
Estas ideias atravessam o conceito do álbum e encontram na música um espaço para serem exploradas. A memória não surge apenas como recordação do que ficou para trás. É também uma forma de interpretar o presente, sobretudo quando aquilo que conhecemos deixa de fazer sentido.
Com oito faixas, DELÍRIA apresenta-se como o primeiro capítulo de ANTERA enquanto artista a solo. Um início marcado pela vontade de cruzar referências culturais, inquietação pessoal e experimentação sonora.
Oito canções, oito universos visuais
A dimensão visual ocupa um lugar importante no projeto. Em colaboração com o videógrafo e artista João Catarino e com o coreógrafo e artista visual Daniel Matos, ANTERA desenvolve um universo associado às diferentes faixas do álbum.
Planos contínuos, personagens, paisagens e pequenos rituais fazem parte desta abordagem. Cada canção ganha o seu próprio micro-universo visual, prolongando para a imagem as atmosferas e os movimentos interiores que estão na origem do disco.
A colaboração entre música, imagem e movimento acrescenta outra dimensão a DELÍRIA. Não se trata apenas de ilustrar as canções, mas de criar diferentes espaços de interpretação em torno delas, acompanhando a passagem entre o mundo interior e a realidade exterior.
O primeiro capítulo de ANTERA a solo
A chegada de DELÍRIA marca o início de um novo percurso para a artista algarvia. As referências à tradição portuguesa permanecem presentes, mas encontram-se com linguagens contemporâneas numa abordagem que procura explorar outras possibilidades para esse património musical.
O álbum fica disponível a 9 de outubro de 2026 e terá apresentação ao vivo no Festival Pedra Dura, a 6 de novembro.
Será no palco que este universo, construído entre raízes portuguesas, eletrónica e inquietação pessoal, encontrará uma nova forma de existir. Para já, DELÍRIA apresenta o ponto de partida de ANTERA: oito canções que procuram transformar experiências e memórias em matéria musical, sem deixar a tradição fechada sobre si própria.
