Durante anos, António Quintino esteve atrás das canções dos outros. Baixista e contrabaixista de uma presença regular na música portuguesa, colaborou com Sérgio Godinho, Tó Trips, Samuel Úria, Cassete Pirata, Margarida Campelo e Bruno Pernadas, entre muitos outros. Agora muda de lugar. Em “Recato”, primeiro single de um álbum previsto para 2027, assume pela primeira vez a voz e a escrita de um projeto seu.
A estreia acontece com uma canção de carácter íntimo e autobiográfico, produzida por Samuel Úria, que também se estreia como produtor musical neste trabalho. O resultado aproxima dois músicos que já se conheciam de outros contextos, mas que aqui trabalham numa relação diferente: Quintino parte para a frente da canção e Úria ajuda a construir o espaço onde essas palavras vão existir.
“Recato” é a primeira amostra de uma nova fase
A mudança de António Quintino não significa abandonar o percurso como instrumentista. Pelo contrário. A experiência acumulada como músico, compositor e arranjador acompanha esta primeira incursão no universo da canção de autor.
“Recato” funciona assim como uma apresentação de outra faceta do músico. Depois de tantos anos a contribuir para os projetos de outros artistas, Quintino passa a assumir também a responsabilidade pelaquilo que quer dizer e pela forma como quer dizê-lo.
O single já está disponível nas plataformas digitais e antecipa um álbum de canções que deverá chegar no próximo ano.
Samuel Úria assume a produção
A colaboração com Samuel Úria é uma das particularidades desta estreia. Para além de participar no percurso artístico de Quintino enquanto músico, Úria assume neste projeto a produção musical, ajudando a definir o equilíbrio entre a palavra e os arranjos.
Sobre a canção, Samuel Úria destaca precisamente a dimensão confessional da escrita. Fala de uma fragilidade presente de forma constante, não como um elemento decorativo, mas como parte essencial daquilo que a canção procura transmitir.
Essa leitura acompanha o ponto de partida de Quintino: escrever a partir de experiências pessoais e transformar esse material numa canção sem esconder a sua vulnerabilidade.
Entre Elliott Smith e Maria Reis
As referências que acompanham o projeto ajudam também a perceber o território musical procurado por António Quintino. Elliott Smith, Rodrigo Amarante, Boy Azooga e Maria Reis fazem parte desse universo de influências, cruzando diferentes formas de trabalhar a canção, a voz e os arranjos.
É um território que permite a Quintino transportar para a escrita algumas das ferramentas que desenvolveu ao longo de anos como instrumentista. A diferença está agora no ponto de partida: já não é apenas acompanhar uma ideia de outro artista, mas construir uma canção a partir de uma experiência própria.
Uma estreia que abre espaço para o álbum
Há qualquer coisa de significativo nesta passagem. Um músico habituado a estar dentro das canções decide finalmente colocar-se diante delas.
“Recato” é, por isso, mais do que o primeiro avanço de um disco. É a apresentação de António Quintino enquanto cantautor, num trabalho onde a experiência acumulada como instrumentista encontra uma escrita pessoal e uma vontade nova de se expor.
O álbum está previsto para 2027. Para já, “Recato” deixa esse primeiro sinal e abre uma nova etapa no percurso de um músico que, desta vez, decidiu começar por contar a sua própria história.
