Nem todas as carreiras internacionais nascem dentro das grandes editoras ou dos circuitos tradicionais da indústria. Algumas começam de forma simples, com uma voz, uma guitarra e uma ligação genuína ao público. É esse o caso de Mari Froes.

A cantora brasileira, confirmada no North Wave 2026, chega aos Açores numa altura em que a sua música já atravessa fronteiras e a leva a alguns dos mais importantes palcos da Europa e da América do Norte.
Nascida em São Paulo, em 2003, Mari Froes tornou-se uma das artistas emergentes mais promissoras da nova música brasileira, cruzando samba, bossa nova, pop e jazz com uma naturalidade que tem conquistado ouvintes dentro e fora do Brasil.
Do YouTube para milhões de ouvintes
O percurso começou no YouTube, onde publicava versões acústicas das canções que mais admirava. O que parecia apenas uma forma de partilhar música acabou por se transformar numa comunidade global. Hoje, o seu canal ultrapassa os 900 mil subscritores e soma mais de 100 milhões de visualizações.
A estreia discográfica aconteceu em 2019 com os singles Moça e Rosa e Laranja. Seguiram-se o EP Nebulosa, editado em 2020, e temas como Eu e Espelho, que ajudaram a consolidar uma identidade artística muito própria, assente na delicadeza das interpretações e numa escrita intimista.
O salto internacional ganhou nova dimensão em 2024. A gravação de Gabriela para o prestigiado COLORS Studio chamou a atenção de novos públicos e a interpretação de Figa de Guiné tornou-se um fenómeno viral, ultrapassando os 72 milhões de visualizações. Pouco depois, Vaitimbora, colaboração com o duo francês Trinix, alcançou mais de 77 milhões de reproduções no Spotify.
Da Holanda para a Suíça
A digressão europeia de Mari Froes inclui uma paragem no North Sea Jazz Festival, em Roterdão, a 12 de julho. Trata-se de um dos festivais mais respeitados da Europa e um palco por onde passam alguns dos maiores nomes da música internacional.
Três dias depois, a cantora atua no Gurtenfestival, na Suíça, reforçando uma presença internacional que tem crescido de forma consistente. Estas participações mostram como a artista está a conquistar espaço em circuitos onde normalmente apenas chegam músicos já consolidados.
Uma voz suave que ganha força em palco
Quem descobre Mari Froes através das plataformas digitais encontra uma artista delicada e intimista. Ao vivo, porém, existe uma dimensão adicional. A sua presença em palco cresce naturalmente ao longo do espetáculo, transformando canções aparentemente simples em momentos de forte ligação emocional com o público.
A voz mantém a proximidade característica das gravações, mas ganha intensidade quando acompanhada pela banda. Existe uma energia tranquila, quase hipnótica, que prende a atenção sem necessidade de excessos. É uma força construída através da interpretação, do silêncio e da capacidade de fazer cada canção parecer uma conversa partilhada com centenas ou milhares de pessoas ao mesmo tempo.
Dos Açores para a América do Norte
Entre os concertos europeus surge a passagem pelo North Wave 2026, nos Açores. Mas a viagem continua logo depois. Em setembro, Mari Froes inicia uma extensa digressão pela América do Norte, com atuações em Houston, Atlanta, Washington, Filadélfia, Nova Iorque, Boston, Montreal, Toronto, Chicago e San Francisco.
A escolha de salas como o Bowery Ballroom, em Nova Iorque, o Thalia Hall, em Chicago, ou o Théâtre Beanfield, em Montreal, demonstra o alcance que a cantora já conquistou junto de novos públicos. O crescimento parece longe de abrandar. Atualmente, Mari Froes soma mais de 6 milhões de ouvintes mensais no Spotify, cerca de 1,3 milhões de seguidores no Instagram e mais de 2 milhões no TikTok.
Quando subir ao palco do North Wave, dia 25 de Julho, os Açores não estarão apenas a receber uma artista em ascensão. Estarão a receber uma das vozes brasileiras mais interessantes da sua geração, num momento em que a sua música já começou a desenhar um mapa muito maior do que aquele onde tudo começou.



