Uma queimadura desaparece da pele, mas nem sempre desaparece da memória. É a partir dessa imagem que Basalto constrói “Sunburn”, o primeiro single de avanço de Words Into Dust, o álbum de estreia do artista, com lançamento marcado para 2 de outubro.
A canção olha para os últimos dias de verão e encontra nessa mudança de estação uma metáfora para aquilo que fica depois de uma relação. O calor passa, mas algumas marcas permanecem. Em “Sunburn”, essa cicatriz torna-se memória de uma experiência vivida, da vulnerabilidade que o amor implica e da força necessária para continuar.
O single marca o regresso de Basalto depois de um período sem novos lançamentos e abre uma nova etapa no projeto de Guilherme de Sousa.
Quando aquilo que dói também permanece
A imagem central de “Sunburn” é simples, mas permite várias leituras. Uma queimadura deixa uma marca porque houve exposição, contacto, intensidade. A relação que está por trás da canção funciona de forma semelhante: alguma coisa aconteceu e, mesmo depois de terminar, continua inscrita em quem a viveu.
É nesse território entre desejo, fragilidade e memória que Basalto começa a revelar Words Into Dust. O álbum reúne canções construídas a partir de experiências íntimas, prolongando uma identidade artística onde a melancolia e a teatralidade ocupam um lugar importante.
A produção de “Sunburn” ficou a cargo de Basalto e Rui Gaspar, dos First Breath After Coma, colaborador habitual do projeto e responsável pela produção da maioria das canções do novo álbum. A composição e a letra são de Basalto.
“Sunburn” não me soa a uma tentativa de reproduzir uma tendência específica. A música parece interessada em criar ambiente, tensão e textura, e isso pode ser uma característica importante para o universo de Words Into Dust.
Também se percebe uma relação interessante entre algo orgânico e algo mais tratado eletronicamente. O resultado não é particularmente agressivo. É mais melancólico, contemplativo e atmosférico.
A música nasce de outras linguagens
Antes de existir Basalto enquanto projeto musical, Guilherme de Sousa já construía o seu percurso entre o teatro, a dança e a performance.
Nascido em Viana do Castelo, em 1994, estudou na Academia Contemporânea do Espetáculo e prosseguiu a formação em Interpretação na ESMAE. Mais tarde, frequentou a Pós-Graduação em Dança Contemporânea promovida pela ESMAE e pelo Teatro Municipal do Porto.
Trabalhou com a coreógrafa Isabelle Schad, passou pela companhia Circolando e participou em diferentes projetos ligados às artes performativas. Em 2019, esteve na reposição de “Mirror Piece”, de Joan Jonas, apresentada no Museu de Serralves. Em 2025, participou também em “O Transe do Ciclista”, de Francisco Tropa, integrado na exposição “AMO-TE”, no mesmo espaço.
Esse percurso ajuda a compreender uma presença artística que não se limita à música. O corpo, a performance e a relação com outras formas de criação fazem parte da linguagem de Basalto.
De “Blunt Knives” a “Words Into Dust”
Em 2024, Basalto apresentou o EP Blunt Knives, trabalho de estreia que incluía temas como “Melt In You” e “Little Boy Big Tears”.
O projeto passou entretanto por palcos como Passos Manuel, Maus Hábitos, mala voadora, CAAA e pelo Festival Termómetro. Em 2025, Basalto participou no The Voice Portugal, na RTP1.
Agora chega “Sunburn”, não apenas como uma nova canção, mas como o primeiro sinal de um trabalho de maior dimensão.
Words Into Dust tem lançamento previsto para o final de 2026 e representa a passagem de um primeiro EP para um álbum onde Basalto aprofunda um universo construído entre música, intimidade e performance.
Uma nova fase começa com uma marca
“Sunburn” chega depois de algum silêncio e encontra Basalto num momento diferente do projeto. A canção olha para aquilo que fica quando uma experiência já terminou, enquanto o álbum prepara uma nova fase.
Talvez seja essa a imagem que melhor aproxima o single do título Words Into Dust: aquilo que foi vivido pode desaparecer, transformar-se ou ganhar outra forma, mas nem sempre deixa de existir por completo.
“Sunburn” fica disponível nas plataformas digitais a partir de 2 de outubro.
