Quinta-feira, 13 de Agosto de 2026
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Carolina Quintas transforma “as coisas que não disse” no primeiro EP e prepara estreia nas Festas do Mar

Por Jorge Silva Medeiros 13 Ago 2026

Carolina Quintas está a entrar numa nova fase da sua carreira. Aos 18 anos, a cantora prepara o lançamento de as coisas que não disse, o primeiro EP, um trabalho construído a partir de emoções, experiências e palavras que ficaram por dizer. O projeto junta temas já conhecidos e novas canções, revelando uma artista mais segura da sua identidade e cada vez mais envolvida nas decisões sobre a sua música.

A estreia ao vivo acontece num lugar com um significado especial para Carolina: o Palco Principal das Festas do Mar, em Cascais, cidade onde cresceu e onde durante anos assistiu aos concertos do lado do público. Na mesma noite, partilha o cartaz com Carlão e Daniela Mercury, num momento que cruza as suas raízes em Cascais com a ligação familiar e cultural ao Brasil.

Entre a memória, a vulnerabilidade e a vontade de crescer, as coisas que não disse marca um ponto de viragem para Carolina Quintas. Um EP que não procura apenas apresentar novas canções, mas mostrar quem está por detrás delas.

O teu primeiro EP chama-se as coisas que não disse. O que representa este título e porque sentiste que era o momento certo para o lançar?

as coisas que não disse representa todas aquelas emoções, pensamentos e conversas que ficaram guardados em mim e que, muitas vezes, só consegui expressar através da música. É um título muito ligado ao meu crescimento e à descoberta da minha voz, não apenas enquanto cantora, mas também enquanto pessoa. Senti que este era o momento certo porque estas canções já fazem parte de mim há algum tempo e agora sinto-me preparada para as partilhar como um projeto completo.

Este EP reúne temas já conhecidos e canções inéditas. De que forma sentes que estas novas músicas mostram uma Carolina Quintas diferente daquela que o público conheceu nos primeiros singles?

Nos primeiros singles eu ainda estava a descobrir o caminho que queria seguir. As novas músicas mostram uma Carolina mais consciente daquilo que quer dizer e também mais envolvida em todas as decisões artísticas. Continuo a ser muito emocional, mas sinto que existe mais segurança, mais maturidade e uma identidade mais definida. É quase como se o público pudesse acompanhar o meu crescimento através das canções.

“Parte Solta”, “The Wrong Flower” e “Mulher Lua” apresentam diferentes facetas da tua identidade artística. Como é que essas canções dialogam entre si dentro deste projeto?

São canções diferentes, mas todas falam, de alguma forma, sobre identidade, relações e crescimento. “Parte Solta” nasceu de uma procura por algo que eu julgava faltar em mim e de uma grande desilusão. “The Wrong Flower” mostra um lado mais delicado e vulnerável, enquanto “Mulher Lua” representa força, transformação e afirmação. Juntas, mostram que podemos ser frágeis, fortes, inseguras e determinadas em momentos diferentes, e que todas essas versões fazem parte da mesma pessoa.

Vais estrear o EP ao vivo no Palco Principal das Festas do Mar. Porque decidiste que este seria o palco ideal para apresentar este trabalho pela primeira vez?

Porque é um palco que tem uma ligação emocional enorme comigo. Cresci em Cascais e as Festas do Mar fazem parte das minhas memórias desde pequena. Apresentar aqui o meu primeiro EP permite-me fechar um ciclo e começar outro exatamente no lugar onde cresci. Não consigo imaginar um cenário mais simbólico do que a Baía de Cascais para mostrar estas canções pela primeira vez.

Cresceste em Cascais e durante muitos anos assististe às Festas do Mar do lado do público. O que sentiste quando soubeste que este ano serias tu a subir ao palco principal?

Foi uma mistura de felicidade, incredulidade e algum nervosismo. Durante muitos anos estive no público a olhar para aquele palco e a imaginar como seria estar lá em cima. Quando percebi que isso ia mesmo acontecer, foi muito emocionante. É daqueles momentos em que olhamos para trás e sentimos que todo o trabalho começou a ganhar forma.

Abrir uma noite onde também atuam Carlão e Daniela Mercury acrescenta responsabilidade ou serve sobretudo de motivação?

As duas coisas. Existe uma responsabilidade muito grande porque sei que será uma noite especial e com um público enorme, mas isso transforma-se sobretudo em motivação. Partilhar o cartaz com dois artistas com percursos tão importantes faz-me querer trabalhar ainda mais e apresentar o melhor concerto possível. Quero aproveitar o momento, aprender e estar à altura desta oportunidade.

Tens ascendência brasileira e partilhas o cartaz com Daniela Mercury. Que significado pessoal tem esse encontro, ainda que seja apenas no mesmo palco e na mesma noite?

Tem um significado muito especial. A minha ligação ao Brasil faz parte da minha identidade e também da maneira como sinto a música. Daniela Mercury representa a energia, a liberdade e a força da música brasileira, por isso partilhar o mesmo palco e a mesma noite com ela é muito simbólico para mim. É um encontro entre duas partes da minha história: Cascais, onde cresci, e o Brasil, que também faz parte de quem sou.

Ao longo dos últimos anos tens procurado afirmar-te através da música original. Em que momento percebeste que querias ser reconhecida pelas tuas próprias canções e não apenas como intérprete?

Acho que comecei a percebê-lo quando lancei “Parte Solta”. Interpretar músicas de outros artistas ensinou-me imenso e continua a ser algo de que gosto, mas cantar uma música que nasceu de uma ideia, de uma emoção ou de uma experiência nossa cria uma ligação completamente diferente. Quando vi pessoas identificarem-se com aquilo que eu estava a dizer, percebi que queria continuar a construir esse caminho.

O The Voice Kids deu-te uma grande exposição. Olhando para trás, o que mudou na tua forma de encarar a música desde essa experiência?

O The Voice Kids deu-me muita confiança e ensinou-me a lidar com a pressão, com os nervos e com a exposição. Na primeira experiência participei em dupla e, mais tarde, decidi voltar sozinha, o que já representou um passo importante para mim. Aprendi que cantar não é apenas ter voz: é saber comunicar, trabalhar, ouvir e aceitar que estamos sempre a aprender. A Aurea também teve um papel muito importante nesse crescimento e fez-me acreditar mais na minha identidade.

Como decorreu o processo de composição de as coisas que não disse? As músicas nasceram todas na mesma fase ou refletem momentos diferentes da tua vida?

Refletem momentos diferentes. Algumas começaram a nascer quando eu era bastante mais nova e outras já pertencem a uma fase mais recente. Por isso, o EP acaba por funcionar quase como um diário: não foi escrito todo de uma vez, mas reúne emoções e versões diferentes de mim. O processo passou muito por transformar sentimentos que eu não conseguia explicar numa letra, numa melodia ou numa imagem.

Existe alguma canção deste EP que sintas que te expõe mais emocionalmente? Porquê?

As inéditas têm um lado muito íntimo porque o público ainda não conhece as histórias e emoções que estão por trás delas. Mas o próprio tema que dá nome ao EP é, para mim, um dos momentos de maior exposição. Fala precisamente da dificuldade de dizer certas coisas no momento certo. Cantá-la é abrir uma parte de mim que, durante algum tempo, esteve guardada.

Que artistas ou referências musicais mais influenciaram este trabalho, tanto em Portugal como no Brasil?

Tenho referências muito diferentes e acho que isso também se sente no projeto. Em Portugal, identifico-me com artistas que dão muita importância à palavra, à interpretação e à honestidade emocional. A experiência de trabalhar com a Aurea também me marcou muito, sobretudo pela forma como ela vive cada interpretação. Do Brasil vêm o ritmo, a liberdade, a força feminina e uma maneira muito própria de contar histórias. Mais do que tentar reproduzir um artista específico, quis juntar essas influências e encontrar a minha própria linguagem.

O concerto foi preparado especificamente para esta estreia. O público pode esperar algumas surpresas ou uma experiência diferente daquela que já conheceu nos teus concertos anteriores?

Sim. Este concerto foi pensado como a apresentação de uma nova fase e não apenas como uma sequência de músicas. Vamos estrear as canções do EP e haverá novos arranjos, momentos mais íntimos e outros com muita energia. Também preparámos algumas surpresas que prefiro não revelar. Quero que o público conheça melhor o universo do EP e sinta que assistiu a algo criado especialmente para aquela noite.

A componente visual parece ter um papel importante neste espetáculo. Até que ponto gostas de pensar na música como uma experiência que vai além das canções?

Gosto muito. Sempre tive uma relação próxima com as artes visuais e com a pintura, por isso é natural pensar em cores, imagens, luz e movimento quando imagino uma música. Para mim, o lado visual não deve distrair da canção, mas pode ampliar aquilo que ela nos faz sentir. Neste espetáculo, cada elemento ajuda a contar a história de as coisas que não disse.

Tens apenas 18 anos, mas já estás a viver momentos importantes da tua carreira. Como lidas com as expectativas que surgem à tua volta?

Tento não pensar demasiado naquilo que esperam de mim e concentrar-me no trabalho que tenho pela frente. Claro que sinto pressão e tenho inseguranças, como qualquer pessoa da minha idade, mas procuro transformar isso em vontade de aprender. Tenho uma equipa, família e amigos que me ajudam e que me apoiam. Quero viver cada etapa sem ter pressa de parecer mais velha ou de ter todas as respostas.

O que gostarias que as pessoas sentissem quando terminarem de ouvir as coisas que não disse pela primeira vez?

Gostaria que sentissem que não estão sozinhas naquilo que nunca conseguiram dizer. Que alguma frase ou alguma melodia lhes traga uma memória, coragem ou até alívio. Não espero que todas as pessoas interpretem as músicas da mesma maneira. Pelo contrário: gostava que cada uma encontrasse nelas um bocadinho da sua própria história.

Depois deste lançamento e da estreia nas Festas do Mar, quais são os próximos objetivos para Carolina Quintas? Há planos para novos concertos, mais música ou até um álbum?

Quero muito levar este EP a outros palcos e permitir que as canções cresçam ao vivo. Também quero continuar a escrever e a explorar novas sonoridades. Um álbum vai chegar, mas não quero saltar etapas. Neste momento, o objetivo é dar vida a este EP, fazer mais concertos, chegar a novas pessoas e continuar a evoluir. Sinto que isto é apenas o início. O álbum vai chegar no início do próximo ano, se tudo correr como espero!

Se pudesses resumir este momento da tua vida numa única frase, qual seria?

Estou finalmente a transformar as coisas que não disse nas canções que sempre quis cantar.

 

 

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Jorge Silva Medeiros

Jorge Silva Medeiros é técnico de som na RTP e fundador do Música Total, um dos projetos editoriais dedicados à música com maior longevidade em Portugal, dentro da plataformas. Ligado ao setor da comunicação e da música há mais de duas décadas, criou também a Rádio Atlântida e tem desenvolvido um trabalho contínuo na divulgação da música portuguesa, dos artistas emergentes e dos grandes eventos culturais, assim como produção de eventos.

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