Quinta-feira, 8 de Outubro de 2026
Editorial

Doce: O Concerto Tributo chega ao Coliseu do Porto a 11 de outubro

Por Mafalda Matos 8 Out 2026

Bastam algumas notas para que a memória faça o resto. As canções das Doce continuam reconhecíveis para quem as ouviu na altura e para quem as descobriu muitos anos depois. Quase cinco décadas após a formação do grupo, o repertório de Fátima Padinha, Teresa Miguel, Lena Coelho e Laura Diogo volta agora ao palco pela mão de quatro novas intérpretes.

Doce – O Concerto Tributo chega ao Coliseu do Porto no dia 11 de outubro, às 17h30, numa produção da Plateia d’Emoções que parte das canções para revisitar também a marca deixada pelo grupo na cultura popular portuguesa.

As Doce surgiram num período de profundas mudanças no país e rapidamente ganharam uma dimensão que ultrapassou a música. A imagem, as coreografias, a presença em palco e uma sucessão de canções que ficaram na memória ajudaram a criar um fenómeno particularmente importante para a afirmação das mulheres na música popular portuguesa.

Por isso, chamar-lhes apenas a primeira grande “girlsband” portuguesa é uma definição curta para uma história bem mais complexa.

Quatro mulheres, quatro personagens, um repertório que ficou

A nova produção coloca em palco Cátia Tavares, Matilde Viegas, Bárbara Rocha e Sofia Cardoso, que assumem, respetivamente, os papéis de Teresa, Laura, Lena e Fá.

Não se trata apenas de recuperar nomes e canções. Existe também a tentativa de reconstruir uma determinada linguagem de palco, num espetáculo que junta música e componente coreográfica.

A banda residente é formada por Rodolfo Cardoso, na guitarra, Diogo Santos Silva, nos teclados, Marcelo Aires, na bateria, e Ricardo Melo, no baixo. A produção musical está entregue a Rodolfo Cardoso e a adaptação coreográfica a Marta Ramos.

A direção artística é de Fernando Tavares, que apresenta o espetáculo como uma celebração da música, da liberdade e da força das quatro mulheres que estiveram no centro da história das Doce.

O legado não está apenas nas canções

O interesse em revisitar as Doce está também naquilo que aconteceu à volta da música.

Fátima Padinha, Teresa Miguel, Lena Coelho e Laura Diogo construíram uma identidade visual e cénica que rapidamente se tornou parte do imaginário português. Numa época em que a televisão tinha um peso muito diferente na formação dos fenómenos populares, a presença das Doce ajudou a transformar canções em imagens que permaneceram.

Essa dimensão explica por que razão o repertório continua a atravessar gerações. Para uns, são memórias de uma determinada época. Para outros, são canções descobertas posteriormente, já separadas do momento histórico em que foram criadas.

Um tributo vive precisamente nessa distância entre o original e o presente.

O palco do Coliseu é apenas o primeiro passo

A apresentação no Coliseu do Porto marca o arranque desta produção da Plateia d’Emoções. Depois do Porto, Doce – O Concerto Tributo seguirá em digressão por outros palcos portugueses, com novas datas a serem anunciadas.

A proposta ganha assim uma dimensão que vai além de uma única sessão. Levar este repertório a diferentes públicos significa colocar novamente em circulação canções que fazem parte da memória musical portuguesa e confrontá-las com outras vozes, outros músicos e outra geração.

As Doce já não estão naquele palco. Mas as canções continuam disponíveis para ser cantadas, reinterpretadas e, sobretudo, ouvidas por quem as conheceu há décadas e por quem chega agora a elas.

É aí que um tributo deixa de ser apenas uma viagem ao passado.

DOCE – O Concerto Tributo

Local: Coliseu do Porto
Data: 11 de outubro
Hora: 17h30

Direção artística: Fernando Tavares
Produção executiva: Paula Tavares
Assistente de produção: Beatriz Oliveira
Produção musical: Rodolfo Cardoso
Adaptação coreográfica: Marta Ramos

Vocalistas:
Cátia Tavares, como Teresa
Matilde Viegas, como Laura
Bárbara Rocha, como Lena
Sofia Cardoso, como Fá

Músicos residentes:
Rodolfo Cardoso, guitarra
Diogo Santos Silva, teclados
Marcelo Aires, bateria
Ricardo Melo, baixo

Mafalda Matos

Mafalda Matos é jornalista no Música Total, onde assina sobretudo peças sobre [novidades musicais / entrevistas / cultura regional]. Com [10 anos] ligada ao jornalismo cultural, tem acompanhado de perto [festivais, lançamentos nacionais, etc.] e é uma das vozes mais regulares do Radar Nacional e da secção de Entrevistas do site.

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