Uma letra pode começar numa experiência difícil, numa conversa ou numa coisa que alguém nunca conseguiu dizer em voz alta. É a partir desse ponto que o Love Is Respect – Life’s Good junta jovens e artistas emergentes para transformar experiências, ideias e emoções em música, abordando temas como respeito, igualdade, relações saudáveis e prevenção da violência no namoro.
Desenvolvido pela Big Appetite 4 Music, com o apoio da LG Portugal, o projecto dirige-se sobretudo a jovens entre os 16 e os 25 anos e propõe um processo de criação colectiva. Em vez de lhes entregar uma mensagem já construída, convida-os a participar na construção das próprias músicas e conteúdos.
É aí que a iniciativa encontra a sua dimensão musical.
Primeiro vêm as histórias, depois as canções
O percurso começa em oficinas criativas onde os participantes exploram temas relacionados com respeito, igualdade, inclusão e relações saudáveis.
As experiências e ideias trabalhadas nessas sessões podem transformar-se em letras e conteúdos musicais, desenvolvidos posteriormente com o acompanhamento de artistas emergentes e de uma equipa especializada.
A música torna-se assim uma forma de falar sobre assuntos que nem sempre são fáceis de abordar directamente.
Não é necessária experiência musical para participar. O projecto procura jovens com vontade de criar, partilhar ideias e trabalhar em equipa.
Essa escolha altera também o papel dos artistas envolvidos. Não estão apenas no palco para interpretar uma mensagem que já existe. Entram no processo de criação e ajudam a dar forma musical às ideias que surgem durante as oficinas.
Seis artistas para construir uma linguagem comum
O núcleo artístico reúne Blink Eyes, Calua, Rosemary, Hipots, João Moniz (natural dos Açores) e John Cantor Mor, com ligações a diferentes territórios de Portugal continental, às Regiões Autónomas e a Angola.
Os seis artistas participam no processo de cocriação com os jovens, acompanhando a transformação das ideias em letras, músicas e conteúdos.
O projecto prevê ainda a participação de artistas locais nas diferentes localizações onde venha a ser implementado, aproximando os participantes dos músicos e das comunidades onde vivem.
Essa dimensão territorial é importante porque a iniciativa não pretende trabalhar apenas com uma linguagem nacional e uniforme. A criação nasce também dos lugares, das pessoas e das experiências que participam em cada implementação.
No fundo, a proposta é simples: escutar primeiro para depois criar.
Uma música que já saiu da oficina para o público
O primeiro resultado visível do projecto foi a apresentação do videoclip oficial “Love Is Respect – Life’s Good”, que reúne os seis artistas numa mensagem colectiva de respeito, consciência social, inclusão e esperança.
Filmado em diferentes locais de Portugal e Angola, o videoclip já ultrapassou, segundo os dados fornecidos pela organização, 165 mil visualizações.
A canção funciona como ponto de entrada para os temas que atravessam o projecto, entre eles a igualdade de género, a prevenção da violência no namoro e a construção de relações mais saudáveis.
Mas a ambição não termina na publicação de uma música.
A ideia é que o processo possa continuar a gerar novas criações a partir das experiências dos jovens que participam.
Quando criar também significa participar
Cada implementação junta jovens, artistas e psicólogos num percurso que vai das primeiras oficinas à produção profissional de músicas e videoclipes.
A equipa de psicólogos assegura o enquadramento pedagógico e metodológico, a capacitação dos artistas, a validação das mensagens e o acompanhamento das actividades. O objectivo é garantir que os temas são trabalhados de forma responsável e adequada à realidade dos participantes.
Depois da criação e apresentação pública, os jovens podem integrar a Rede de Jovens Embaixadores Love Is Respect – Life’s Good, mantendo uma participação activa na divulgação de mensagens relacionadas com respeito, igualdade, inclusão e não violência junto das suas comunidades.
O projecto pretende também estabelecer novas parcerias com municípios, universidades, associações juvenis, organizações da sociedade civil e outras entidades comunitárias.
As inscrições para futuras implementações já estão disponíveis e não exigem experiência musical.
O que se procura é vontade de participar, criar e ouvir os outros.
Porque uma música pode ser mais do que uma mensagem pronta para ser transmitida.
Pode ser o lugar onde alguém encontra finalmente uma forma de dizer aquilo que pensa.
