Crescer também muda a maneira como amamos. O que começa por ser espontâneo vai ganhando cautelas, expectativas e memórias de relações que não correram como esperávamos. Antes de voltar a entregar-nos, pensamos mais, medimos mais e, muitas vezes, sentimos menos. É nesse espaço entre aquilo que fomos e aquilo em que nos tornámos que Filipe Ramos encontra “Amor de Miúdos”, o single que marca a sua estreia e chega às plataformas digitais esta sexta-feira, 25 de setembro.
A canção parte de uma vontade de recuperar alguma da simplicidade que existe quando ainda não aprendemos a transformar cada sentimento numa pergunta. Não se trata de esquecer as desilusões ou fingir que elas não existem, mas de perceber até que ponto aquilo que vivemos pode acabar por condicionar a forma como voltamos a gostar de alguém.
“A nossa geração está moldada aos filtros e ao medo de sentir, e com este tema quero desconstruir a ideia de que as pessoas deixem de ter medo de amar com intensidade”, explica Filipe Ramos.
É a partir dessa inquietação que “Amor de Miúdos” ganha forma. A letra olha para relações vividas entre expectativas e receios, mas também para a possibilidade de deixar de antecipar o fim antes de viver verdadeiramente o princípio.
Uma estreia que começa pela vulnerabilidade
Para Filipe Ramos, este não é apenas o primeiro single. É também a primeira oportunidade de apresentar uma identidade artística que começa agora a ganhar contornos.
A escolha de começar por uma canção sobre o amor diz muito sobre esse ponto de partida. Em “Amor de Miúdos”, a vulnerabilidade não aparece como uma fraqueza a esconder, mas como parte da experiência que alimenta a criação. O artista transforma sentimentos e experiências numa canção pop de carácter intimista e melancólico, procurando encontrar uma linguagem própria dentro desse território.
A intenção é deixar espaço para aquilo que acontece antes das certezas. Gostar de alguém sem saber ainda onde a relação vai chegar. Viver o que está a acontecer sem tentar controlar antecipadamente aquilo que poderá vir depois.
Da Ericeira aos primeiros passos na música
Natural da Ericeira, Filipe Ramos descobriu aos 14 anos uma paixão pelo universo musical que acabaria por ocupar um lugar central na sua vida.
A partir daí, foi explorando diferentes áreas do processo criativo. Primeiro a composição e a interpretação, mais tarde a produção, num percurso que lhe permitiu experimentar diferentes formas de transformar aquilo que sente em música.
É dessa aprendizagem que começa agora a surgir a identidade artística de Filipe Ramos. A sua proposta move-se dentro da pop, cruzando sonoridades modernas e clássicas com uma escrita centrada em experiências e emoções.
“Amor de Miúdos” funciona, por isso, como uma apresentação, mas também como um ponto de partida. Ainda não existe uma história longa para contar enquanto artista, e talvez seja precisamente essa fase inicial que torna esta estreia interessante: estamos perante alguém que começa agora a perceber que voz quer deixar na música.
O que perdemos quando começamos a crescer?
A pergunta que atravessa “Amor de Miúdos” não é apenas sobre o amor. É sobre aquilo que acontece connosco quando acumulamos experiências suficientes para começar a desconfiar daquilo que antes vivíamos de forma natural.
As desilusões ensinam-nos a reconhecer sinais, a estabelecer limites e a proteger-nos. Mas também podem tornar mais difícil o risco que existe em qualquer relação. Filipe Ramos olha para essa contradição sem procurar uma resposta definitiva.
“Amor de Miúdos” chega às plataformas digitais esta sexta-feira, 25 de setembro, como o primeiro capítulo de um percurso que começa com uma ideia simples: talvez crescer não devesse significar perder completamente a capacidade de amar sem calcular cada passo.
