Terça-feira, Fevereiro 24, 2026

Em breve: banda portuguesa de death/thrash metal Morbid Death regressa com “Veil of Ashes” em março

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Três décadas depois de terem começado a ensaiar num território onde quase tudo parecia distante, os Açores continuam a gerar resistência sonora.

 

 

O novo disco dos Morbid Death chega a 13 de março de 2026 e reafirma essa persistência insular como força criativa. O título é Veil of Ashes e a edição surge pela Firecum Records em parceria com o Museu do Heavy Metal Açoriano, em CD e LP.

Mais do que um simples regresso, este lançamento posiciona a banda num momento de consolidação histórica. Num tempo em que a memória do underground português começa finalmente a ser organizada e reconhecida, o quarteto mantém-se ativo, produtivo e focado naquilo que sempre definiu o seu percurso: intensidade, disciplina e sobrevivência.

A linha de rutura do metal açoriano

Existe um antes e um depois na cena pesada dos Açores, e os Morbid Death ocupam precisamente essa fronteira. Fundados em setembro de 1990, na ilha de São Miguel, nasceram com a ambição de ultrapassar o isolamento geográfico através do ruído, da circulação de cassetes e da construção paciente de uma identidade própria.

O impacto foi progressivo. Demos, álbuns, vídeos e concertos fora do arquipélago ajudaram a consolidar o nome da banda num circuito onde a distância nunca foi desculpa. A história do grupo confunde-se com a própria maturação do metal açoriano, servindo de referência para gerações seguintes que passaram a encarar o exterior não como limite, mas como extensão possível.

Trinta anos de reinvenção constante

Ao longo de mais de três décadas, mudanças de formação e oscilações naturais não alteraram o eixo central do projeto. A resistência tornou-se método. Cada fase trouxe ajustes sonoros, mas a base manteve-se fiel à agressividade do death e à urgência do thrash.

Essa continuidade explica a relevância atual do grupo. Num panorama onde muitas bandas da mesma geração optaram pela pausa ou pelo encerramento definitivo, os Morbid Death escolheram manter-se operacionais. O novo disco surge, por isso, como consequência lógica de um percurso sustentado, não como exercício nostálgico.

O processo de gravação e a nova direção sonora

Veil of Ashes foi gravado no StepKeys Studio, em Ponta Delgada, espaço que acolheu também a mistura e a masterização. A decisão de trabalhar localmente reforça a ligação ao território, mas o resultado sonoro aponta para ambições que ultrapassam o contexto regional.

Os temas já revelados, “Hole Worm” e “World of Lies”, indicam uma abordagem mais direta e cortante. A produção privilegia peso e definição, evitando excessos técnicos desnecessários. A banda parece regressar ao núcleo mais cru da sua linguagem, recuperando a agressividade inicial com maturidade rítmica e controlo estrutural.

Alinhamento e expectativa

O alinhamento confirma oito faixas: “Evil Remains”, “Veil of Ashes”, “Vanity”, “Hole Worm”, “Souls of Trauma”, “Fallen Future”, “World of Lies” e “Death Row”. A sequência sugere um disco compacto, sem dispersões, pensado para funcionar como bloco coeso.

Num contexto nacional em que o metal extremo continua a disputar visibilidade, este lançamento assume peso simbólico. Não se trata apenas de mais um capítulo discográfico, mas da reafirmação de uma banda que atravessou décadas sem abdicar da identidade. Março aproxima-se e, com ele, a sensação de que o arquipélago volta a projetar ruído para fora das ilhas, como quem reacende uma chama antiga que nunca chegou verdadeiramente a apagar-se.

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