Cinco décadas passaram desde que os ENGLE começaram a fazer barulho em Santa Clara, Ponta Delgada. O que nasceu em 1975 como uma banda de jovens apaixonados pelo rock transformou-se num dos projetos mais duradouros da música ao vivo nos Açores, mantendo uma ligação especial com várias gerações de público.
Vídeo: Youtube de PDL Azores
Longe de viver apenas da nostalgia, os ENGLE continuam a subir aos palcos com uma missão simples: celebrar a energia do rock clássico através de concertos onde a música é sempre a protagonista.
Uma história escrita nos palcos açorianos
A história dos ENGLE cruza-se com a evolução da música moderna nos Açores. Formados por Emanuel Raposo, José Duarte Raposo, Henrique Ben-David, Luís Travassos, Nélio Carreiro e Silva e Gualter Mendonça, rapidamente conquistaram espaço nos bailes, festas populares e grandes eventos da ilha de São Miguel, antes de levarem o seu espetáculo a praticamente todo o arquipélago.
Numa época em que o rock procurava uma nova identidade depois da explosão dos anos 60, a banda destacou-se pelo repertório escolhido e também pela componente visual dos concertos. Foram pioneiros na utilização de efeitos de fumo e pirotecnia em palco, oferecendo um espetáculo pouco habitual para a realidade açoriana da época.
O regresso que devolveu uma referência ao público
Depois de uma longa pausa, os ENGLE regressaram aos palcos em 2015, mais de quatro décadas após a sua fundação. O reencontro foi recebido com entusiasmo por um público que nunca esqueceu a banda e que voltou a encher concertos para ouvir os grandes clássicos que marcaram diferentes gerações.
Ao longo dos últimos anos, o grupo foi renovando a formação sem perder a identidade. Atualmente, Emanuel Raposo, Hugo Almeida, Daniel Nascimento, Paulino Oliveira e Dino Oliveira dão continuidade a um projeto que procura preservar o espírito do rock dos anos 70, 80 e 90.
Muito mais do que uma banda de versões
Os concertos dos ENGLE prolongam-se normalmente entre 90 e 120 minutos e apresentam um repertório com mais de uma centena de temas. Queen, Deep Purple, Pink Floyd, Guns N’ Roses, Bon Jovi, Dire Straits, Whitesnake, Rolling Stones, Gary Moore e Bryan Adams fazem parte de um alinhamento pensado para reunir várias gerações à volta do rock.
O objetivo nunca foi apenas tocar canções conhecidas. A banda procura recriar a atmosfera dos grandes concertos, apostando numa interpretação fiel, numa forte presença em palco e numa relação próxima com o público. Essa fórmula continua a fazer dos ENGLE uma presença habitual em festas populares, festivais e eventos culturais dos Açores.
Um legado que continua a crescer
Num panorama musical onde muitos projetos desaparecem ao fim de poucos anos, os ENGLE são um exemplo raro de continuidade. Atravessaram mudanças de formação, uma longa pausa e diferentes fases da música portuguesa, mas mantiveram sempre vivo o compromisso com o rock e com o público açoriano.
Celebrar cinquenta anos é reconhecer um percurso construído com persistência, amizade e paixão pela música. Mais do que olhar para trás, os ENGLE continuam a olhar para o palco seguinte, demonstrando que algumas histórias não vivem apenas da memória. Continuam a escrever novos capítulos sempre que as luzes se acendem e as primeiras notas voltam a soar.

