Julia Holter decidiu voltar ao universo de Something in the Room She Moves. Em vez de avançar imediatamente para um capítulo completamente novo, a compositora norte-americana escolheu aprofundar as atmosferas e as ideias que marcaram o álbum de 2024. O resultado chama-se Materia e chega a 21 de agosto.

Com sete canções, o novo trabalho funciona como uma extensão do disco anterior e inclui gravações realizadas entre digressões, além de material revisitado e reinterpretado. O primeiro avanço é “Fantasy”, acompanhado por um vídeo realizado por Dicky Bahto em colaboração com a própria artista.
Sete novas canções para expandir um universo já conhecido
Longe de ser uma simples coleção de sobras, Materia nasce como um projeto complementar a Something in the Room She Moves. As novas faixas recuperam ideias desenvolvidas durante aquele período criativo, dando-lhes agora uma identidade própria.
Entre gravações inéditas e versões transformadas de material já existente, o álbum procura aprofundar a atmosfera fluida e contemplativa que caracterizou o trabalho de 2024.
“Fantasy”, o primeiro single revelado, aponta precisamente nessa direção. A canção mantém a combinação entre delicadeza melódica e riqueza de arranjos que se tornou uma das assinaturas da artista.
Uma carreira construída fora das fórmulas habituais
Nascida em Los Angeles, Julia Holter construiu uma das discografias mais respeitadas da música independente contemporânea. Formada em composição pelo California Institute of the Arts, começou por explorar territórios experimentais antes de encontrar um equilíbrio muito próprio entre acessibilidade e vanguarda.
Discos como Ekstasis (2012), Loud City Song (2013), Have You in My Wilderness (2015) e Aviary (2018) consolidaram a sua reputação junto da crítica e do público mais atento.
Ao longo dos anos, a cantora e compositora foi desenvolvendo uma linguagem que combina pop, música clássica, jazz, folk e ambient, sem nunca perder a identidade.
Literatura, cinema e imaginação no centro da criação
A obra de Julia Holter sempre foi alimentada por referências exteriores à música. O cinema, a poesia e a literatura ocupam um lugar importante na forma como constrói as suas composições e os seus universos sonoros.
Essa curiosidade artística levou-a também a trabalhar em bandas sonoras e em projetos multidisciplinares, ampliando constantemente os limites da sua linguagem criativa.
Apesar da sofisticação das suas composições, existe uma dimensão emocional e intimista que atravessa toda a sua discografia e que ajuda a explicar porque continua a ser uma figura tão admirada dentro da pop experimental.
“Materia” prolonga uma trajetória singular
Mais de uma década depois dos primeiros lançamentos, Julia Holter continua a seguir um percurso muito próprio, distante das tendências e das fórmulas mais previsíveis. Em vez de fechar rapidamente um ciclo, escolheu regressar às ideias de Something in the Room She Moves para lhes dar novas formas.
Essa decisão acaba por refletir uma característica constante da sua carreira: a recusa em tratar as canções como objetos acabados. Em Materia, há espaço para revisitar, transformar e descobrir novas perspetivas sobre um universo que continua em movimento.



