Durante quase uma década, Lisa Sereno escreveu canções longe dos palcos e da exposição pública. O tempo passado nesse lugar acabou por dar origem a Belonging, o álbum de estreia que apresentou o seu trabalho a um público mais vasto e que agora a leva até Groningen, nos Países Baixos, para actuar no Eurosonic Noorderslag 2027.
A artista foi escolhida pela Antena 3 para representar Portugal através da rede da European Broadcasting Union (EBU). Entre 13 e 16 de janeiro, vai apresentar no festival um projecto que começou a ganhar forma pública em novembro de 2025, quando Belonging chegou às plataformas e às lojas através da Omnichord Records.
O tempo antes de Belonging
O percurso de Lisa Sereno não começou com um lançamento ou com uma campanha de promoção. Antes do primeiro disco, existiram anos de escrita, um período em que as canções foram sendo construídas sem a exposição que hoje acompanha o projecto.
“Mystery”, “Tan Line” e “Fool” foram alguns dos temas que anteciparam Belonging. O álbum acabaria por dar outra dimensão a esse trabalho e por colocar Lisa Sereno no circuito de concertos, festivais e salas onde a música passou a poder ser descoberta ao vivo.
A Antena 3 escolheu Belonging como Álbum da Semana e, mais tarde, o disco ficou em segundo lugar entre os álbuns portugueses do ano para a estação. Mais do que uma sucessão de distinções, esse percurso marcou a passagem de um trabalho construído durante anos em privado para uma presença cada vez mais visível na música portuguesa.
Agora as canções vão mais longe
Ao vivo, Lisa Sereno apresenta-se com João Hasselberg, Pedro Branco, João Costa e Débora King. Desde a edição do álbum, esta formação passou por diferentes contextos, entre festivais, teatros, clubes e espaços culturais, incluindo o MIL Lisboa e o Bons Sons.
O Eurosonic surge agora num momento diferente. As canções de Belonging já foram testadas perante públicos portugueses e o projecto tem uma história ao vivo para além do disco. Groningen representa, por isso, uma mudança de escala: as mesmas canções passam a ser apresentadas num contexto onde programadores, profissionais da indústria e festivais de vários países procuram novos projectos para os seus circuitos.
Os artistas seleccionados para o ESNS podem ainda integrar o European Talent Exchange, programa destinado a facilitar a circulação de músicos por festivais europeus.
É uma possibilidade que coloca o trabalho de Lisa Sereno perante um público profissional mais amplo, numa fase em que o seu percurso internacional ainda está a começar.
Dez anos depois da primeira passagem da Omnichord
A presença de Lisa Sereno tem também uma história própria dentro da Omnichord Records.
Em 2017, os First Breath After Coma foram o primeiro projecto da editora a actuar no Eurosonic. Um ano depois, Surma passou por Groningen. Em 2019, foi a vez dos Whales.
Em 2027, dez anos depois da primeira presença da editora no festival, Lisa Sereno torna-se o quarto projecto da Omnichord a chegar ao Eurosonic.
A diferença está também no momento do percurso. Quando os primeiros projectos da editora passaram por Groningen, Lisa Sereno ainda estava a construir, longe dos palcos, as canções que mais tarde dariam origem a Belonging.
Groningen é o próximo capítulo
O Eurosonic já recebeu artistas como The xx, Stromae, Robyn, Hozier, Aurora, Sam Smith, Fontaines D.C. e Zaho de Sagazan, em diferentes momentos dos seus percursos.
Lisa Sereno chega a Groningen sem uma longa discografia atrás de si. Leva um álbum, uma banda, alguns anos de concertos e uma história que começou muito antes de o seu nome surgir nos cartazes.
É precisamente essa distância entre o tempo em que as canções foram escritas e o lugar onde serão agora apresentadas que torna esta passagem particularmente significativa. Belonging nasceu de um processo demorado e íntimo. Em janeiro de 2027, essas canções vão encontrar um palco europeu.
