Lloyd Banks atua no LAV a 5 de maio de 2026 e traz duas décadas de rimas afiadas a Lisboa

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Há nomes que envelhecem mal. Outros afinam. Lloyd Banks pertence claramente ao segundo grupo. A 5 de maio de 2026, o LAV Lisboa Ao Vivo recebe o MC nova iorquino numa data integrada na European Tour 2026. Vinte anos de carreira não se anunciam com fogo de artifício. Medem-se na resistência. Na capacidade de continuar relevante quando o ruído muda à volta.

Banks nunca foi o mais expansivo da sala. Nunca precisou. A sua força sempre esteve na escrita cirúrgica, no controlo do flow, naquela forma quase fria de encaixar sílabas como quem monta uma estrutura que não pode falhar.

A disciplina como assinatura

No início dos anos 2000, Nova Iorque fervilhava de novas vozes e coletivos ambiciosos. Lloyd Banks destacou-se rapidamente dentro dos G-Unit, grupo que redefiniu o mainstream do rap daquela era. Mas mesmo nesse contexto explosivo, a sua postura era outra. Menos teatral. Mais concentrada.

Quando lançou The Hunger For More, ficou claro que não dependia apenas da máquina coletiva. On Fire e Karma tornaram-se clássicos, mas o que ficou foi a consistência. Versos enxutos, sem desperdício. Uma autoridade tranquila que não precisava de gritar para se impor.

Entre colaborações e identidade própria

Ao longo dos anos trabalhou com pesos pesados como Eminem, Snoop Dogg, 50 Cent, Ghostface Killah, Method Man, Freddie Gibbs, Jadakiss e Benny The Butcher. Colaborações que ampliaram horizontes, mas nunca diluíram a identidade.

Porque, no fundo, Lloyd Banks sempre soou a Lloyd Banks. Há artistas que se adaptam ao beat. Ele parece moldar o beat ao seu ritmo interno. Pode soar minimalista. Pode soar contido. Mas é precisamente nessa contenção que reside a tensão.

2025 e a maturidade sem nostalgia

Os lançamentos mais recentes, HHVI The Six Of Swords e A.O.N 3 Despite My Mistakes, provaram que não vive apenas da memória dos anos dourados do G-Unit. A energia mantém-se, mas há outro peso nas palavras. Menos urgência juvenil. Mais consciência.

Não tenta reviver 2004. Não precisa. Trabalha com o que é agora. E isso dá-lhe uma solidez rara num género onde muitos desaparecem quando a tendência muda.

O palco como teste final

Em concerto, não há distrações excessivas. A performance é direta. Letras à frente. Presença firme. O alinhamento costuma cruzar clássicos com material recente, criando uma espécie de linha temporal ao vivo.

No LAV, a 5 de maio de 2026, o público português terá acesso a essa narrativa construída ao longo de duas décadas. Não é um espetáculo de nostalgia fácil. É afirmação contínua. Técnica. Ritmo. Confiança.

E talvez seja isso que mais impressiona. Não a explosão inicial. Mas a capacidade de permanecer. De continuar a rimar com precisão quando tantos ficaram pelo caminho.