Segunda-feira, 10 de Agosto de 2026
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Magnus Ferrell ganha dimensão internacional com “Asleep Talking”

Por Mafalda Matos 10 Ago 2026

Uma canção lançada em abril começou a ganhar uma segunda vida depois de Will Ferrell a destacar no podcast IMO. Desde então, “Asleep Talking”, de Magnus Ferrell, tem crescido nas plataformas digitais, nas redes sociais e em vários mercados internacionais, colocando o nome do jovem artista perante uma audiência muito maior.

Lançado a 24 de abril, o single tornou-se o centro de uma fase particularmente importante para Magnus Ferrell. O tema registou um aumento de 1 001% nas reproduções diárias, enquanto os ouvintes mensais no Spotify cresceram 524% e os ouvintes mensais activos aumentaram 1 400%. A canção chegou ainda ao número 24 da tabela Digital Song Sales da Billboard, a primeira entrada de Magnus numa tabela da publicação.

De uma recomendação num podcast para uma audiência internacional

O momento que alterou a trajectória de “Asleep Talking” aconteceu quando Will Ferrell falou sobre Magnus no podcast IMO, de Michelle Obama, e partilhou um excerto da canção.

A exposição teve consequências rápidas. O tema começou a circular com maior intensidade nas redes sociais e chegou a novos públicos fora dos Estados Unidos. Na Nova Zelândia, o programa The Morning Shift Show dedicou espaço ao artista, com um dos conteúdos sobre Magnus a ultrapassar 13 milhões de visualizações.

O próprio crescimento nas redes sociais dá uma ideia da velocidade deste fenómeno. Numa semana, Magnus passou de cerca de 70 mil para mais de 639 mil seguidores no Instagram, enquanto o TikTok ultrapassou os 551 mil seguidores.

O apelido Ferrell naturalmente desperta atenção. Magnus é filho de Will Ferrell e tem 22 anos. Mas a dimensão que “Asleep Talking” está a alcançar começa a colocar a conversa noutro lugar: na música e na capacidade de uma canção encontrar público para lá da curiosidade inicial.

 

 

“Asleep Talking” encontrou espaço entre o R&B e a indie pop

Musicalmente, “Asleep Talking” trabalha num território próximo do R&B alternativo e da indie pop, com uma produção suave que deixa espaço para a voz e para uma escrita particularmente íntima.

A canção parte de uma situação simples. A dificuldade em adormecer transforma-se numa consequência de estar demasiado envolvido emocionalmente com outra pessoa. Existe desejo, expectativa e aquela inquietação de não saber se o sentimento será correspondido.

É uma história familiar, mas Magnus não tenta torná-la maior do que é. A força está precisamente na proximidade.

A canção também ajuda a perceber as referências que estão por trás do artista. Magnus cresceu ligado à música e começou a estudar piano aos cinco anos. Mais tarde, aproximou-se do jazz e de nomes como Bill Evans, Miles Davis, Oscar Peterson e John Coltrane, enquanto descobria também artistas como Bruno Major, Mac Ayres, Still Woozy, Michael Jackson e Stevie Wonder.

Essa combinação aparece numa música que não se fecha numa única influência. O resultado procura uma linguagem contemporânea, mas mantém uma atenção evidente à melodia, à harmonia e à interpretação.

O crescimento já chegou aos palcos

A dimensão internacional de “Asleep Talking” também se reflectiu fora das plataformas. O single chegou ao número 1 do iTunes na Nova Zelândia, ao número 2 na Austrália, número 4 nos Estados Unidos, número 5 nos Países Baixos, número 13 no Canadá e número 14 no Reino Unido, tendo entrado ainda nas tabelas de outros territórios.

A canção tem igualmente vindo a subir nas tabelas globais da Shazam e recebeu apoio público de artistas e figuras conhecidas como Justin Timberlake, Joe Jonas, Jimmy Fallon, Khloé Kardashian, Heidi Klum, TY Dolla $ign, JVKE, Alex Warren e AJ Tracey.

No dia 9 de agosto, Magnus deu mais um passo ao actuar no Outside Lands Music Festival, na Califórnia. O festival reuniu nomes como Charli XCX, The Strokes, RÜFÜS DU SOL, Mariah the Scientist e GloRilla, colocando o jovem artista no mesmo programa de alguns dos nomes mais relevantes da música actual.

Para Magnus, a actuação surge num momento em que “Asleep Talking” já ultrapassou a dimensão de um lançamento independente com crescimento orgânico. A questão passa agora por perceber se esta atenção consegue acompanhar o artista para lá de uma única canção.

Antes de “Asleep Talking”, já existia um caminho

A história de Magnus Ferrell não começou com este single. Em 2023, lançou “Drinks On Me” e “Missed Your Chance”. No ano seguinte, “Life Or Death” ultrapassou os 581 mil streams no Spotify e deu origem ao EP Hasn’t Even Started.

Em 2025, colaborou com Deacon em “Slow Down”, incluída no filme You’re Cordially Invited, e lançou “Miss Me Vendetta”, single que ultrapassou já meio milhão de streams e recebeu atenção de meios como a Atwood Magazine.

Nascido em Los Angeles, Magnus é cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista. O avô, músico que tocou saxofone e teclados para os The Righteous Brothers, também teve influência no ambiente musical em que cresceu.

Agora, “Asleep Talking” colocou esse percurso num palco muito maior. A residência no Blue Note Los Angeles, nova música a caminho e uma audiência internacional em crescimento apontam para uma fase diferente da carreira.

O mais interessante será perceber o que acontece quando o efeito da descoberta inicial começar a desaparecer. Uma canção pode abrir uma porta. A partir daí, são as próximas músicas que decidem se alguém fica.

Mafalda Matos

Mafalda Matos é jornalista no Música Total, onde assina sobretudo peças sobre [novidades musicais / entrevistas / cultura regional]. Com [10 anos] ligada ao jornalismo cultural, tem acompanhado de perto [festivais, lançamentos nacionais, etc.] e é uma das vozes mais regulares do Radar Nacional e da secção de Entrevistas do site.

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