Quinta-feira, 16 de Julho de 2026
Editorial

Marina Mole revela o lado mais cru de Azucrim no novo single “Slowdancing”

Por Mafalda Matos 16 Jul 2026
★★★★☆

O percurso de Marina Mole rumo ao lançamento de Azucrim ganha uma nova dimensão com Slowdancing, segundo avanço do álbum previsto para o segundo semestre pela Café8 Music. Depois da energia solar de Luneta Azul, a artista apresenta agora uma canção mais crua e emocional, onde o garage rock e o punk servem de palco a uma forte componente poética.

 

A nova faixa evidencia outra face do disco, mostrando uma compositora interessada em explorar contrastes sonoros e narrativos. Entre riffs explosivos e momentos de palavra declamada, Slowdancing confirma que Azucrim promete fugir às fórmulas mais previsíveis.

Um encontro entre guitarras e poesia

A letra nasce de uma parceria entre Marina Mole e o poeta Guilherme Ziggy, autor de Consultas Autônomas (2019). A colaboração surgiu a partir da técnica surrealista do “cadáver esquisito”, da qual resultaram vários poemas escritos em conjunto e que acabaram por integrar o universo criativo da canção.

Segundo a artista, a inspiração apareceu enquanto ouvia Não Sei Dançar, de Marina Lima. A reflexão sobre a dificuldade de acompanhar emocionalmente outra pessoa acabou por encontrar eco nos textos escritos com Ziggy, dando origem a uma secção declamada que se funde naturalmente com a intensidade da música.

Influências que se fazem ouvir

Marina Mole assume sem reservas a influência de artistas que cruzam rock e literatura. Patti Smith é uma das referências mais marcantes, uma admiração tão forte que a cantora tem o nome da artista tatuado no braço.

Musicalmente, Slowdancing parte de um riff inspirado nos The Cramps, crescendo lentamente até desembocar numa explosão de guitarras distorcidas e ritmo acelerado. A tensão é construída de forma paciente, mantendo o ouvinte suspenso antes da descarga final de energia.

Um álbum gravado em fita analógica

Tal como acontece em todo o álbum Azucrim, Slowdancing foi gravado em fita analógica por Beeau Gomez, uma escolha que reforça a textura orgânica e o carácter cru das canções.

A mistura e masterização ficaram a cargo de Eduardo Possa, conhecido pelo trabalho com os Exclusive Os Cabides, preservando a identidade garage do tema sem perder definição sonora.

Músicos e edição exclusiva para Portugal

Além da voz, guitarra e composição de Marina Mole, o tema reúne Vitor Wutzki na guitarra e coros, Lucas Monch no baixo e cleozinhu na bateria e backing vocals.

Em Portugal, Slowdancing chega ao público através de uma parceria exclusiva entre a editora brasileira Café8 Music e o Música Total, reforçando a aposta da publicação na divulgação de novos projetos da música em língua portuguesa. Com este lançamento, Marina Mole continua a revelar as várias camadas de Azucrim, um disco que promete equilibrar intensidade, vulnerabilidade e uma forte identidade artística.

Ficha técnica

  • Single: Slowdancing
  • Artista: Marina Mole
  • Álbum: Azucrim (edição prevista para o segundo semestre)
  • Letra: Marina Mole e Guilherme Ziggy
  • Composição, voz e guitarra: Marina Mole
  • Guitarra e coros: Vitor Wutzki
  • Baixo: Lucas Monch
  • Bateria e coros: cleozinhu
  • Gravação: Beeau Gomez (Estúdio memoria)
  • Mistura e masterização: Eduardo Possa
  • Selo: Café8 Music
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Mafalda Matos

Mafalda Matos é jornalista no Música Total, onde assina sobretudo peças sobre [novidades musicais / entrevistas / cultura regional]. Com [10 anos] ligada ao jornalismo cultural, tem acompanhado de perto [festivais, lançamentos nacionais, etc.] e é uma das vozes mais regulares do Radar Nacional e da secção de Entrevistas do site.