O percurso de Marina Mole rumo ao lançamento de Azucrim ganha uma nova dimensão com Slowdancing, segundo avanço do álbum previsto para o segundo semestre pela Café8 Music. Depois da energia solar de Luneta Azul, a artista apresenta agora uma canção mais crua e emocional, onde o garage rock e o punk servem de palco a uma forte componente poética.
A nova faixa evidencia outra face do disco, mostrando uma compositora interessada em explorar contrastes sonoros e narrativos. Entre riffs explosivos e momentos de palavra declamada, Slowdancing confirma que Azucrim promete fugir às fórmulas mais previsíveis.
Um encontro entre guitarras e poesia
A letra nasce de uma parceria entre Marina Mole e o poeta Guilherme Ziggy, autor de Consultas Autônomas (2019). A colaboração surgiu a partir da técnica surrealista do “cadáver esquisito”, da qual resultaram vários poemas escritos em conjunto e que acabaram por integrar o universo criativo da canção.
Segundo a artista, a inspiração apareceu enquanto ouvia Não Sei Dançar, de Marina Lima. A reflexão sobre a dificuldade de acompanhar emocionalmente outra pessoa acabou por encontrar eco nos textos escritos com Ziggy, dando origem a uma secção declamada que se funde naturalmente com a intensidade da música.
Influências que se fazem ouvir
Marina Mole assume sem reservas a influência de artistas que cruzam rock e literatura. Patti Smith é uma das referências mais marcantes, uma admiração tão forte que a cantora tem o nome da artista tatuado no braço.
Musicalmente, Slowdancing parte de um riff inspirado nos The Cramps, crescendo lentamente até desembocar numa explosão de guitarras distorcidas e ritmo acelerado. A tensão é construída de forma paciente, mantendo o ouvinte suspenso antes da descarga final de energia.
Um álbum gravado em fita analógica
Tal como acontece em todo o álbum Azucrim, Slowdancing foi gravado em fita analógica por Beeau Gomez, uma escolha que reforça a textura orgânica e o carácter cru das canções.
A mistura e masterização ficaram a cargo de Eduardo Possa, conhecido pelo trabalho com os Exclusive Os Cabides, preservando a identidade garage do tema sem perder definição sonora.
Músicos e edição exclusiva para Portugal
Além da voz, guitarra e composição de Marina Mole, o tema reúne Vitor Wutzki na guitarra e coros, Lucas Monch no baixo e cleozinhu na bateria e backing vocals.
Em Portugal, Slowdancing chega ao público através de uma parceria exclusiva entre a editora brasileira Café8 Music e o Música Total, reforçando a aposta da publicação na divulgação de novos projetos da música em língua portuguesa. Com este lançamento, Marina Mole continua a revelar as várias camadas de Azucrim, um disco que promete equilibrar intensidade, vulnerabilidade e uma forte identidade artística.
Ficha técnica
- Single: Slowdancing
- Artista: Marina Mole
- Álbum: Azucrim (edição prevista para o segundo semestre)
- Letra: Marina Mole e Guilherme Ziggy
- Composição, voz e guitarra: Marina Mole
- Guitarra e coros: Vitor Wutzki
- Baixo: Lucas Monch
- Bateria e coros: cleozinhu
- Gravação: Beeau Gomez (Estúdio memoria)
- Mistura e masterização: Eduardo Possa
- Selo: Café8 Music
