O tempo não costuma pedir licença. Passa enquanto decidimos, enquanto esperamos, enquanto adiamos aquilo que sabemos que já devia ter acontecido. É desse lugar pouco confortável que parte “Baby Don’t Waste My Time”, o novo single de Marta Ren e primeiro avanço do próximo disco.
A canção fala de tempo, escolhas, liberdade e da necessidade de avançar, mas interessa-lhe sobretudo o momento em que percebemos que continuar parado também é uma decisão.
O que fica quando deixamos de esperar
“Baby Don’t Waste My Time” não trata o tempo como uma corrida contra o relógio. A ideia é outra. O que fazemos com aquilo que temos quando percebemos que determinada pessoa, situação ou relação já não acompanha o caminho que queremos seguir?
Marta Ren escreve a partir dessa tensão entre ficar e partir. O tempo não pode ser guardado, devolvido ou recuperado. Podemos esperar, mas não conseguimos fazer com que aquilo que passou volte a ocupar o mesmo lugar.
É uma ideia simples e, talvez por isso, difícil de ignorar.
A espera também pode ser silêncio
O videoclipe, realizado e editado por Marco Oliveira, escolhe uma abordagem mais silenciosa. Em vez de transformar a espera num exercício de ansiedade, procura nela outra possibilidade: a de parar o suficiente para voltar a olhar.
Essa mudança de perspectiva interessa porque “quem espera, desespera” nem sempre explica o que acontece. Às vezes, esperar permite perceber. Outras vezes, revela precisamente aquilo que já não queremos continuar a esperar.
O vídeo acompanha essa zona de suspensão sem a tentar preencher demasiado.
Uma banda inteira dentro da canção
Composição e produção pertencem a Marta Ren e Sérgio Pires, que também assume a bateria e as percussões. Pedro Santos toca baixo, Paulo Saraiva guitarra, João Gomes teclados, Samuel Silva saxofone, João Seco trombone, João Sousa trompete e João Pinheiro vibrafone e percussões. A gravação ficou a cargo de Mário Pereira.
A dimensão instrumental dá corpo a uma canção que parte de uma inquietação bastante humana. Não se trata apenas de perder tempo. Trata-se de perceber quando continuar a gastá-lo deixou de fazer sentido.
“Baby Don’t Waste My Time” chega assim como primeira peça de um disco que ainda está por revelar. E talvez a melhor maneira de entrar nele seja precisamente esta: através de uma canção que não promete recuperar o tempo perdido, apenas lembra que o próximo minuto ainda não passou.
“Baby Don’t Waste My Time” já está disponível nas plataformas digitais.
