MOONSPELL regressam com “Far From God” e reacendem o lado mais sombrio do gótico

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Algures entre a memória coletiva do metal europeu e a persistência de uma estética que nunca morreu realmente, os Moonspell voltam a ocupar o centro do palco com um novo capítulo.

 

Não se trata apenas de mais um lançamento. Há aqui um reposicionamento emocional e estético, uma tentativa clara de reaproximação às raízes que ajudaram a definir.

“Far From God” surge como o primeiro avanço do 14º álbum de estúdio da banda, com edição marcada para 3 de julho pela Napalm Records. O título não engana. Há uma tensão espiritual assumida, uma narrativa carregada de simbolismo e uma ligação direta ao imaginário gótico que sempre orbitou a identidade dos Moonspell.

Um regresso ao amor vampírico

Fernando Ribeiro não esconde a intenção. A canção nasceu de um impulso quase imediato, escrita “de um só fôlego”, e recupera um tema que há muito não surgia com esta intensidade no universo da banda: o amor vampírico que desafia o tempo.

A referência não é casual. A inspiração recente vem do filme Nosferatu, realizado por Robert Eggers, que reintroduziu no imaginário contemporâneo a figura trágica do vampiro. Uma figura que remonta à literatura de Bram Stoker e que aqui é reinterpretada com uma carga sensorial intensa.

O resultado é uma música que não procura modernizar o conceito, mas sim aprofundá-lo. O fogo da luz do dia, a pele que arde, os amantes proibidos. Tudo serve uma estética que nunca foi apenas visual. Sempre foi emocional.

O peso de três décadas

Falar de Moonspell implica falar de consistência. Mais de trinta anos de carreira, milhares de quilómetros em estrada e uma presença contínua nos principais circuitos internacionais. Poucas bandas portuguesas conseguiram sustentar este nível de relevância durante tanto tempo.

O novo álbum chega depois de um momento particularmente forte: o lançamento de “Opus Diabolicum”, gravado na MEO Arena com a Sinfonietta de Lisboa, que esgotou edições físicas e reforçou a dimensão sinfónica da banda. Esse projeto não ficou por Portugal. Foi levado a palcos internacionais como o Pepsi Center, na Cidade do México, e prepara-se para ganhar nova vida no Anfiteatro Romano de Plovdiv.

Este contexto importa. Porque “Far From God” não nasce num vazio criativo. Surge após um ciclo de validação internacional que permite à banda regressar ao estúdio com outra liberdade.

Um álbum que assume identidade

O disco partilha o nome com o single. Isso raramente acontece por acaso. Segundo Ribeiro, esta faixa funciona como núcleo conceptual do álbum, tanto a nível lírico como visual.

Há uma reafirmação clara do gothic metal enquanto linguagem própria. Num género que se diluiu em múltiplas variações ao longo dos anos, os Moonspell parecem interessados em recuperar autoridade. Não como nostalgia, mas como afirmação.

Eles estiveram lá no início. E essa memória pesa.

Concertos, festivais e um Halloween anunciado

O regresso não fica confinado ao estúdio. “Far From God” será apresentado ao vivo em duas datas nacionais já confirmadas: Sintra, a 12 de setembro, e Porto, a 31 de outubro.

A escolha do Porto não é inocente. A cidade recebe em 2026 a celebração “Invicta Halloween”, reforçando uma tradição que a banda tem vindo a consolidar ao longo dos anos.

Antes disso, o verão será marcado por uma presença forte em festivais europeus como Graspop, Wave Gotik Treffen, Party.San Open Air e Castle Party. Um circuito que continua a validar a relevância da banda fora de portas.

E depois há a América Latina. Uma relação antiga, iniciada em 1998, que voltou a ser reforçada com uma recente digressão que passou por países como Brasil, Argentina e Chile, e que incluiu pela primeira vez Honduras.

2026 começa a desenhar-se como um ano de afirmação. Não tanto pela novidade, mas pela forma como a banda decide revisitar aquilo que sempre soube fazer melhor.

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