As listas de mais vendidos funcionam como termómetro cultural. Não dizem tudo, mas dizem o suficiente sobre o que prende a atenção, o que se espalha de boca em boca, o que entra nas casas e fica.

Esta semana, os tops de livros e discos mais vendidos em Portugal mostram paisagens diferentes: ficção popular a dominar as prateleiras, colaborações internacionais a liderar as vendas de álbuns, e um mercado que continua a misturar preferências globais com nomes que têm eco nacional.
Freida McFadden ocupa metade do top 10 de livros
A lista de mais vendidos publicada pelo Portal da Literatura não deixa dúvidas. Freida McFadden tem cinco títulos no top 10. A Criada lidera, seguida por outros volumes da mesma autora espalhados entre as posições mais altas. É um domínio raro, quase monopolista, que revela o apetite dos leitores por histórias que prendem, que se leem depressa, que pedem continuação.
Logo atrás surge Asterix na Lusitânia de Fabrice Caro, na segunda posição, um álbum de banda desenhada que mostra como a leitura divertida e acessível continua a encontrar lugar entre os preferidos. Pedro Chagas Freitas entra em terceiro com O Hospital de Alfaces, confirmando a capacidade de arrastar público. Dan Brown aparece em quarto com O Segredo Dos Segredos, um lançamento recente que mantém o autor no radar dos leitores portugueses.
Há algo curioso nesta concentração de McFadden. Ver uma autora de thriller popular ocupar várias posições ao mesmo tempo não é frequente. Sugere uma audiência fiel que consome em série, que termina um livro e avança para o próximo sem pausa. O tipo de leitura que se espalha por recomendação, que cria comunidade à volta de personagens e reviravoltas narrativas.
Kanye West e Ty Dolla $ign lideram vendas de álbuns
No lado musical, os dados mais recentes apontam Vultures 1, álbum da parceria entre Kanye West e Ty Dolla $ign, como líder das vendas em Portugal. A informação surge depois de um ano onde os tops foram marcados por nomes como Bad Bunny, Plutónio, Tate McRae e Lady Gaga, artistas que misturam estilos e conquistam audiências amplas.
Vultures 1 chegou com força e instalou-se no topo. Colaborações entre artistas de peso têm essa capacidade de atrair públicos diferentes, de criar cruzamentos inesperados entre fãs. O álbum junta hip-hop, produção pesada, referências culturais que atravessam fronteiras. Não é música de nicho, é música para ocupar espaço.
Os tops de 2025 já tinham mostrado Debí Tirar Más Fotos de Bad Bunny e Carta de Alforria de Plutónio como presenças constantes nas paradas. Agora, com Vultures 1 a assumir a liderança, há um novo capítulo nas preferências dos ouvintes portugueses. O movimento é rápido, os álbuns entram e saem das posições altas conforme as semanas passam.
Números que contam histórias
Além das posições, há sinais interessantes. Nos livros, a presença de vários volumes da mesma autora indica leitores que se envolvem com séries, que procuram continuidade narrativa. A mistura de ficção popular com títulos mais introspectivos, como Nem Todas as Árvores Morrem de Pé de Luísa Sobral na décima posição, aponta para um público que lê por prazer mas também por aprofundamento pessoal.
Na música, a liderança de uma colaboração internacional como Vultures 1 mostra que o mercado português continua permeável a propostas globais, enquanto artistas nacionais como Plutónio mantêm presença repetida ao longo dos meses. Os gostos são fluidos, há espaço para vários géneros e abordagens criativas.
José Rodrigues dos Santos aparece em oitavo lugar com O Sexto Sentido, confirmando que autores portugueses de ficção comercial têm o seu espaço garantido. Asterix na Lusitânia em segundo lugar também não é acaso, banda desenhada continua a vender bem, especialmente quando há uma ligação explícita ao território nacional.
Os rankings de mais vendidos funcionam como mapas do momento. Combinam preferências duradouras com tendências emergentes, apontam para leitores e ouvintes que querem histórias envolventes e experiências sonoras marcantes. As listas mudam todas as semanas, novos títulos entram, outros descem. O que fica é a ideia de que o mercado cultural português está vivo, a consumir, a escolher.


















