PEIXARANHA lança EP “AGORA PENSA” e prepara concerto de apresentação em Corroios

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Algumas bandas nascem de encontros ocasionais. Outras surgem quando a urgência fala mais alto. Os PEIXARANHA pertencem claramente à segunda categoria. O projeto formado em Almada junta quatro músicos com décadas de experiência na cena underground portuguesa e apresenta agora “AGORA PENSA”, um EP de estreia que transforma inquietação social em ruído, tensão e intensidade emocional.

 

Lançado em maio de 2026, o disco reúne cinco temas que refletem um tempo marcado pela polarização, pela normalização de discursos de ódio e pela crescente sensação de que a neutralidade já não é uma opção. Sem recorrer a discursos simplistas, a banda constrói um universo sonoro onde guitarras abrasivas convivem com atmosferas densas e momentos de forte carga emocional.

Quatro músicos, décadas de estrada

A história dos PEIXARANHA começou em julho de 2025, quando quatro músicos que já tinham partilhado palcos e projetos ao longo dos últimos 25 anos decidiram voltar a tocar juntos. O resultado não foi um exercício de nostalgia, mas sim uma nova identidade construída sobre experiências acumuladas em várias frentes do underground nacional.

A formação integra Paulo Ventura, conhecido pelo trabalho em Last Hope, Pestox, FP, Aheadpain, Ruthless Breed e Campo Minado, Hugo Frazão, ligado aos Human Choice e Aheadpain, Ricardo Milho, com passagem por Hate Machine, Funeral Party, Aheadpain, Crab Slackers e Living Dead Act, e Paulo Cercas, nome associado aos Veteranos MSHC, Utopia e Campo Minado.

Entre a agressividade e a tensão atmosférica

O som dos PEIXARANHA evita classificações fáceis. As canções movem-se entre explosões de agressividade frontal e momentos mais contidos, onde a tensão cresce lentamente até atingir pontos de ruptura.

Essa dinâmica dá ao EP uma identidade própria. Existem faixas que atacam sem rodeios e outras que apostam numa construção mais hipnótica, criando um contraste permanente que mantém a escuta imprevisível do início ao fim.

Um disco que assume posição

A banda não esconde o lado político da sua música. Pelo contrário. A motivação para criar os PEIXARANHA nasce precisamente da observação do contexto social atual e da necessidade de responder artisticamente ao que os seus membros consideram ser uma crescente degradação do espaço público.

As letras e a atitude do grupo apontam para temas como responsabilidade coletiva, resistência e participação. Não como slogans, mas como reflexos de um tempo em que, segundo a própria banda, a indiferença deixou de ser neutra.

Apresentação ao vivo já em julho

Depois da edição de “AGORA PENSA”, a próxima etapa passa pelo palco. O concerto oficial de apresentação está marcado para 3 de julho, no Blackbox, em Corroios, numa oportunidade para ouvir ao vivo a intensidade que atravessa o EP.

Com uma base construída na experiência, mas sem qualquer vontade de olhar para trás, os PEIXARANHA entram em cena com um discurso direto e um conjunto de canções que parecem feitas para provocar reação. E isso, por si só, já diz bastante sobre o momento em que surgem.

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