Para os PMDS, a electrónica não vive apenas nas máquinas. Também vive nas memórias, nos lugares e naquilo que permanece depois de se sair de uma ilha. Pedro Sousa e Filipe Caetano regressam em 2026 com Redenção, o quarto álbum de estúdio do duo açoriano, num trabalho que recupera a experiência de crescer em São Miguel e a transforma numa matéria sonora feita de ambientes, sintetizadores e electrónica contemplativa.
O álbum chega a 1 de outubro, antecipado pelos singles “Inocência” e “Redenção”, lançados para apresentar diferentes dimensões do novo trabalho.
Quando uma ilha passa para dentro da música
Crescer numa ilha significa viver entre uma enorme presença física, o Atlântico, e as limitações próprias de um território insular. É dessa experiência que Redenção parte.
Os PMDS não apresentam a identidade açoriana como simples decoração ou referência geográfica. O território surge associado à memória e à forma como essa experiência pode ser transformada através do som. A electrónica torna-se, assim, uma maneira de revisitar aquilo que ficou para trás sem deixar de olhar para o presente.
É uma matéria particularmente adequada ao universo do duo. A sua música cruza electrónica ambiental e experimental com uma abordagem contemplativa, criando espaços sonoros onde a memória pode surgir sem precisar de ser explicada.
Dois percursos, uma mesma paixão pelas máquinas
Pedro Sousa e Filipe Caetano chegam aos PMDS por caminhos diferentes.
Pedro tem formação clássica em piano. Filipe traz uma experiência ligada às pistas de dança. Entre esses dois percursos existe uma paixão comum pelos equipamentos analógicos e sintetizadores, que ocupa um lugar central na identidade do projecto.
Essa diferença de origens ajuda a perceber a linguagem dos PMDS. De um lado, a relação com a formação musical e com o instrumento. Do outro, a experiência física e electrónica da pista. No encontro entre ambos nasce uma música que não precisa de escolher entre contemplação e movimento.
Redenção surge desse espaço intermédio, levando para o presente uma memória insular através de uma linguagem electrónica construída com matéria analógica.
O erro também faz parte do espectáculo
É ao vivo que os PMDS levam mais longe esta relação com as máquinas.
O duo utiliza parte do seu arsenal de instrumentos para construir as actuações no próprio momento, manipulando os equipamentos e deixando espaço para que cada apresentação aconteça sem uma rede de segurança. O resultado é uma experiência em que o erro humano não é necessariamente um problema a eliminar, mas uma possibilidade que faz parte do espectáculo.
Num universo onde a tecnologia pode facilmente conduzir à repetição exacta, esta opção devolve alguma imprevisibilidade à música electrónica. O instrumento deixa de ser apenas uma ferramenta de reprodução e passa a participar activamente na construção do concerto.
É também por isso que a chegada de Redenção aos palcos não será apenas uma extensão do lançamento do álbum. O disco terá apresentações em Lisboa, no BOTA, a 15 de Outubro, e no Maus Hábitos, no Porto, a 16 de Outubro. Em 24 de Janeiro de 2027, os PMDS regressam a São Miguel para apresentar o trabalho no Arquipélago – Centro de Artes.
A viagem fecha, por agora, o círculo: começa numa experiência insular transformada em música e regressa ao território que está na origem dessa memória.
Redenção chega assim como um novo capítulo dos PMDS, mas também como uma continuação de uma relação antiga entre os dois músicos, as máquinas que escolheram para trabalhar e a ilha onde começaram a construir a sua própria linguagem.
