Depois de mais de uma década a conquistar palcos internacionais, Kura decide abrandar o foco do festival e concentrar se no formato álbum.

“Saudade”, foi editado a 20 de fevereiro de 2026 pela Warner Music Portugal, marca esse momento de viragem. Não é apenas o primeiro longa duração. É uma mudança de intenção.
Ao longo de 14 temas, o produtor português aproxima a sua identidade electrónica de uma dimensão mais melódica e emocional. A energia mantém se reconhecível, mas o centro da narrativa desloca se para a canção.
Do festival global ao formato álbum
Kura construiu carreira nos maiores eventos internacionais de música electrónica. O seu nome ficou associado a drops intensos e produções pensadas para impacto imediato. Esse percurso moldou uma identidade clara, técnica e eficaz.
“Saudade” representa outro gesto. Em vez de singles isolados, surge um corpo de trabalho estruturado. O álbum é pensado como narrativa contínua, onde cada faixa acrescenta camada a um conceito comum.
Colaborações e diversidade geracional
O disco assume caráter colaborativo. Entre os convidados estão Julinho KSD, Diogo Piçarra, Nuno Ribeiro e Aurea, nomes que representam diferentes áreas da música nacional contemporânea.
Essa diversidade amplia o alcance do projeto. A electrónica serve de base, mas as vozes convidadas introduzem camadas pop, urbanas e mais orgânicas, criando diálogo entre universos que raramente se encontram de forma tão direta.
“Sentir Saudade” como ponto de partida
Um dos momentos centrais do disco é “Sentir Saudade”, com Bia Caboz, já distinguido com galardão de platina e com milhões de streams acumulados. O tema antecipou o caminho criativo que o álbum agora consolida.
A faixa mantém pulsação electrónica, mas aposta numa construção melódica mais emotiva. Esse equilíbrio entre batida e sentimento torna se linha condutora de todo o projeto.
Identidade portuguesa dentro da electrónica
O título não surge por acaso. “Saudade” funciona como conceito estruturante. Kura não abandona o ADN internacional que o definiu, mas integra nele uma sensibilidade portuguesa clara, tanto na escolha das colaborações como na atmosfera das composições.
No contexto do Radar de Sons do Musicatotal, este álbum representa maturidade e reposicionamento. Um produtor que dominou a pista de dança global escolhe agora explorar memória, colaboração e identidade cultural. A energia continua lá. A diferença está na intenção.
