Os Red Hot Chili Peppers voltaram a trabalhar em música nova e a expectativa em torno do próximo capítulo da banda começa a crescer. Depois de quatro anos sem um álbum de estúdio, Anthony Kiedis, Flea, John Frusciante e Chad Smith estão novamente envolvidos no processo de composição. Ainda não existe uma data para o próximo disco, mas o trabalho está em andamento e 2027 começa a surgir como um horizonte possível para os próximos passos de um dos nomes mais importantes do rock alternativo americano.
O regresso aos palcos, em Los Angeles, a 17 de outubro, acrescentou outro motivo de interesse. Num concerto que assinalou os 25 anos do Silverlake Conservatory of Music, instituição fundada por Flea, a banda recuperou canções que estavam afastadas dos alinhamentos há mais de duas décadas. Não foi apenas uma viagem ao passado. Foi também uma oportunidade para voltar a olhar para uma história musical que continua a alimentar o presente do grupo.
Música nova, quatro músicos e uma nova etapa
A possibilidade de um novo álbum ganhou força depois de Flea ter falado sobre o trabalho desenvolvido com os restantes elementos da banda. As sessões de composição incluem encontros entre os músicos e trabalho na casa de John Frusciante, cuja presença voltou a ter um peso determinante na identidade sonora do grupo desde o seu regresso, em 2019.
Os últimos dois álbuns, Unlimited Love e Return of the Dream Canteen, chegaram em 2022 e mostraram uma banda novamente produtiva com a formação clássica. Foram dois discos editados no mesmo ano, com material suficiente para demonstrar que a reunião não se limitava à recuperação de uma fórmula antiga.
Agora, a questão é perceber que caminho vão escolher. Os Red Hot Chili Peppers construíram uma carreira marcada pela capacidade de cruzar funk, rock, punk e melodias pop sem perder uma identidade reconhecível. Um novo disco terá inevitavelmente de lidar com esse legado, mas também com a vontade de continuar a encontrar espaço para novas ideias.
Por enquanto, não existe um título anunciado nem uma data oficial de lançamento. Falar de 2027 como o ano do regresso discográfico seria antecipar uma decisão que a banda ainda não tornou pública. O que existe é trabalho em curso, e isso basta para manter o grupo entre os nomes a acompanhar nos próximos meses.
Canções esquecidas regressam ao alinhamento
O concerto de 17 de outubro, no Hollywood Palladium, em Los Angeles, trouxe uma surpresa para quem acompanha a história da banda para além dos grandes êxitos. Os Red Hot Chili Peppers recuperaram «Organic Anti-Beat Box Band», do álbum The Uplift Mofo Party Plan, de 1987, e «Blackeyed Blonde», incluída em Freaky Styley, editado em 1985. As duas canções não eram tocadas ao vivo desde 2000.
A escolha levou o alinhamento até uma fase em que o grupo ainda procurava consolidar a sua identidade, muito antes de alcançar a dimensão internacional que viria com Blood Sugar Sex Magik, em 1991. Nesses primeiros discos, a mistura de funk, punk e irreverência tinha uma abordagem mais crua, ligada à energia dos clubes de Los Angeles e a uma linguagem musical que não se preocupava em seguir tendências.
Outro momento especial aconteceu com «Nevermind», interpretada com John Frusciante pela primeira vez desde 1992. O alinhamento incluiu ainda «Can’t Stop», «Black Summer», «Eddie» e «Give It Away», juntando diferentes períodos da discografia e mostrando como a banda consegue passar de material recente para canções que marcaram os primeiros anos da sua carreira.
A recuperação destas raridades não significa necessariamente que estejam a preparar uma mudança de direcção musical. Mostra, isso sim, que o catálogo dos Red Hot Chili Peppers continua a oferecer caminhos menos previsíveis para os concertos, num momento em que o grupo volta a concentrar-se na criação de material novo.
«Os Red Hot Chili Peppers continuam a procurar novas páginas para uma história que já atravessa mais de quatro décadas.»
O que pode acontecer antes de 2027?
O próximo ano poderá ser importante para a banda, mas ainda faltam peças para perceber como se vai desenrolar esta nova etapa. Um álbum, uma digressão ou a apresentação de um primeiro single são possibilidades que dependem do avanço das sessões de composição e das decisões que os músicos tomarem nos próximos meses.
Também não existem datas oficialmente anunciadas para uma nova digressão europeia em 2027, nem concertos confirmados em Portugal. Para os fãs portugueses, o regresso aos palcos europeus continua, por isso, a ser uma expectativa e não uma certeza.
A história recente do grupo mostra que os Red Hot Chili Peppers continuam a encontrar razões para voltar ao estúdio. A reunião com Frusciante abriu uma nova fase, os dois discos de 2022 devolveram a banda ao centro das atenções e o trabalho actual sugere que o processo criativo não ficou encerrado com esses lançamentos.
O que vem a seguir permanece em aberto. Mas existe uma diferença entre uma banda que vive do repertório que construiu e outra que continua a trabalhar para acrescentar novas páginas à sua história. Os Red Hot Chili Peppers parecem estar a tentar fazer as duas coisas ao mesmo tempo. E é precisamente nessa tensão entre memória e futuro que reside o interesse em acompanhar os seus próximos movimentos.
