Os Junkhouse têm uma nova canção. «Hot Hot Sun», já disponível através da editora High Or Hurtin, junta Tom Wilson a Gary Furniss, uma das figuras ligadas aos primeiros anos da banda canadiana. O lançamento abre um novo capítulo para o grupo de Hamilton, no Ontário, que mantém a ligação ao rock de raízes norte-americanas e prepara uma atuação em Niagara Falls, em novembro.
A música assenta num ritmo envolvente, guitarras expressivas e num refrão que convida a cantar em conjunto. Na letra, Wilson rejeita os rótulos que lhe são impostos e escolhe seguir o próprio caminho, atrás do calor e da liberdade. «Não me chames preguiçoso, estou atrás do sol quente», canta o músico, numa frase que concentra o espírito despreocupado do tema.
Sem procurar reinventar a identidade dos Junkhouse, «Hot Hot Sun» aposta na força de uma canção direta, construída em torno da voz de Wilson e de uma sonoridade que privilegia o ritmo e as guitarras.
O reencontro com Gary Furniss
A participação de Gary Furniss dá ao single um significado particular na história dos Junkhouse. O músico e produtor esteve entre os primeiros a apoiar a escrita de Tom Wilson e acompanhou a banda nos seus primeiros anos de gravação e edição discográfica.
Os dois assinam a composição de «Hot Hot Sun», gravado, produzido e misturado por Furniss no seu estúdio Stonehouse. Além de assumir as funções técnicas, o músico participou na gravação com guitarras, baixo, teclados, programação e vozes de apoio.
«Champagne» James Robertson acrescentou guitarras elétricas e slide, enquanto Thompson Wilson, filho de Tom, participou nas vozes de apoio. A masterização ficou a cargo de Noah Mintz.
A presença de Furniss recupera uma ligação antiga, enquanto a participação de Thompson Wilson aproxima a gravação de uma nova geração de músicos. O resultado nasce deste encontro entre diferentes momentos do percurso de Tom Wilson.
De Hamilton para os palcos internacionais
Os Junkhouse formaram-se em Hamilton, em 1989, com Tom Wilson na voz, Dan Achen na guitarra, Ray Farrugia na bateria e Russ Wilson no baixo. A banda começou por desenvolver o seu som nos bares e clubes da cidade, construindo uma identidade marcada pela intensidade das atuações e pela combinação de influências do rock, blues e folk.
O reconhecimento chegou com Strays, editado em 1993 pela Sony Music Canada e produzido sobretudo por Malcolm Burn. O álbum alcançou o estatuto de disco de ouro no Canadá e incluiu temas como «Out of My Head», «Praying for the Rain» e «Big Brown Turtle».
Nos anos seguintes, o grupo lançou Birthday Boy, em 1995, e Fuzz, em 1997. Os três discos consolidaram o lugar dos Junkhouse no panorama do rock canadiano e ajudaram a levar a banda a palcos nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália.
A escrita de Tom Wilson sempre teve uma componente próxima do folk, mesmo quando as canções eram interpretadas com a intensidade característica do grupo. Essa combinação entre composição e força instrumental continua a fazer parte da identidade dos Junkhouse.
Uma nova formação para 2026
A atual formação reúne Tom Wilson e o baterista original Ray Farrugia, com Thompson Wilson no baixo. O guitarrista Aaron Goldstein e o teclista Jesse O’Brien alargam a paleta sonora, enquanto James Robertson completa o grupo.
Robertson é conhecido pelo trabalho com os New Country Rehab, MOONRIIVR e Dwayne Gretzky, desenvolvendo também atividade como compositor e produtor.
Fora dos Junkhouse, Tom Wilson mantém outros projetos musicais, entre os quais Blackie and the Rodeo Kings e Lee Harvey Osmond. A cidade de Hamilton, as suas personagens e a experiência da classe trabalhadora continuam a marcar a sua escrita, numa carreira que atravessa diferentes formações e territórios musicais.
