Aprender música através de uma aplicação pode parecer simples. O desafio está em transformar informação em conhecimento. Foi a partir dessa questão que Martijn, fundador do Sonid, criou uma ferramenta pensada para levar a teoria musical para a prática diária de quem toca um instrumento.
Há uma diferença importante entre saber o que é um intervalo e conseguir reconhecê lo quando se está a tocar. Entre conhecer o nome de um acorde e perceber porque funciona numa determinada progressão. Entre decorar uma escala e compreender as relações que existem dentro dela.
É nessa distância entre informação e compreensão que o Sonid procura encontrar o seu espaço.
A aplicação nasceu de uma necessidade concreta. Enquanto ensinava teoria musical básica a alunos de guitarra, Martijn encontrou ferramentas úteis para consulta e prática, mas sentiu falta de um percurso que organizasse a aprendizagem de forma progressiva.
A resposta foi criar o próprio sistema.
Uma aplicação pensada para aprender, não apenas consultar
O Sonid propõe exercícios curtos e guiados para trabalhar diferentes áreas da teoria musical. Intervalos, acordes, escalas, treino auditivo, partitura e ritmo fazem parte desse percurso.
A diferença está menos nos conceitos abordados do que na forma como são trabalhados.
A teoria musical está disponível em milhares de páginas, vídeos e aplicações. O problema raramente é encontrar uma explicação. O problema é criar continuidade suficiente para que aquilo que foi explicado passe a fazer parte da linguagem musical de quem aprende.
O Sonid tenta resolver precisamente essa questão através da prática regular no telemóvel.
Para um guitarrista, isso pode significar deixar de olhar para uma escala apenas como uma posição no braço e começar a perceber as notas, os intervalos e as relações que estão por trás dessa posição.
É uma mudança pequena na forma de estudar, mas importante na forma de compreender o instrumento.
Do músico individual para a sala de aula
O projeto não fica limitado ao estudo individual.
O Sonid Classroom foi criado para escolas de música e professores que procuram acompanhar o trabalho dos alunos fora das aulas. A ferramenta permite integrar exercícios de teoria no processo de ensino e dar maior continuidade ao trabalho realizado entre uma aula e outra.
Esta dimensão levanta uma questão interessante sobre o papel das aplicações na educação musical.
Uma aplicação dificilmente substitui aquilo que acontece entre professor e aluno. Pode, no entanto, ocupar um espaço que muitas vezes fica vazio: o período entre duas aulas, quando a matéria precisa de ser revista, praticada e consolidada.
É aí que a tecnologia pode ter uma função mais útil. Não ensinar pelo professor, mas ajudar o aluno a chegar à aula seguinte com mais trabalho feito e com dificuldades mais concretas para discutir.
Quando a teoria começa realmente a fazer sentido
O interesse do Sonid está, por isso, menos na quantidade de conteúdos que consegue colocar num telemóvel e mais na tentativa de tornar a teoria uma parte regular da prática musical.
Esse é também o seu verdadeiro teste.
Uma aplicação pode explicar o que é uma escala. Pode apresentar um acorde. Pode pedir ao utilizador que identifique um intervalo. Mas a aprendizagem só acontece verdadeiramente quando essas respostas deixam de ser exercícios isolados e começam a influenciar a forma como o músico ouve, toca, compõe ou improvisa.
É uma ambição mais difícil do que simplesmente ensinar conceitos.
No caso do Sonid, tudo começou com alunos de guitarra. A proposta agora é mais ampla: criar uma ferramenta que acompanhe músicos na construção de uma base teórica estruturada e que possa também ser integrada no trabalho de professores e escolas.
No fundo, a questão que permanece é bastante simples: quando fechamos a aplicação, aquilo que aprendemos continua connosco?
É aí que qualquer ferramenta de aprendizagem musical tem de ser verdadeiramente avaliada.
