Quinta-feira, 10 de Setembro de 2026
Radar Nacional

Sonid quer transformar a forma como os músicos aprendem teoria musical

Por Mafalda Matos 10 Set 2026

Aprender música através de uma aplicação pode parecer simples. O desafio está em transformar informação em conhecimento. Foi a partir dessa questão que Martijn, fundador do Sonid, criou uma ferramenta pensada para levar a teoria musical para a prática diária de quem toca um instrumento.

Há uma diferença importante entre saber o que é um intervalo e conseguir reconhecê lo quando se está a tocar. Entre conhecer o nome de um acorde e perceber porque funciona numa determinada progressão. Entre decorar uma escala e compreender as relações que existem dentro dela.

É nessa distância entre informação e compreensão que o Sonid procura encontrar o seu espaço.

A aplicação nasceu de uma necessidade concreta. Enquanto ensinava teoria musical básica a alunos de guitarra, Martijn encontrou ferramentas úteis para consulta e prática, mas sentiu falta de um percurso que organizasse a aprendizagem de forma progressiva.

A resposta foi criar o próprio sistema.

Uma aplicação pensada para aprender, não apenas consultar

O Sonid propõe exercícios curtos e guiados para trabalhar diferentes áreas da teoria musical. Intervalos, acordes, escalas, treino auditivo, partitura e ritmo fazem parte desse percurso.

A diferença está menos nos conceitos abordados do que na forma como são trabalhados.

A teoria musical está disponível em milhares de páginas, vídeos e aplicações. O problema raramente é encontrar uma explicação. O problema é criar continuidade suficiente para que aquilo que foi explicado passe a fazer parte da linguagem musical de quem aprende.

O Sonid tenta resolver precisamente essa questão através da prática regular no telemóvel.

Para um guitarrista, isso pode significar deixar de olhar para uma escala apenas como uma posição no braço e começar a perceber as notas, os intervalos e as relações que estão por trás dessa posição.

É uma mudança pequena na forma de estudar, mas importante na forma de compreender o instrumento.

Do músico individual para a sala de aula

O projeto não fica limitado ao estudo individual.

O Sonid Classroom foi criado para escolas de música e professores que procuram acompanhar o trabalho dos alunos fora das aulas. A ferramenta permite integrar exercícios de teoria no processo de ensino e dar maior continuidade ao trabalho realizado entre uma aula e outra.

Esta dimensão levanta uma questão interessante sobre o papel das aplicações na educação musical.

Uma aplicação dificilmente substitui aquilo que acontece entre professor e aluno. Pode, no entanto, ocupar um espaço que muitas vezes fica vazio: o período entre duas aulas, quando a matéria precisa de ser revista, praticada e consolidada.

É aí que a tecnologia pode ter uma função mais útil. Não ensinar pelo professor, mas ajudar o aluno a chegar à aula seguinte com mais trabalho feito e com dificuldades mais concretas para discutir.

Quando a teoria começa realmente a fazer sentido

O interesse do Sonid está, por isso, menos na quantidade de conteúdos que consegue colocar num telemóvel e mais na tentativa de tornar a teoria uma parte regular da prática musical.

Esse é também o seu verdadeiro teste.

Uma aplicação pode explicar o que é uma escala. Pode apresentar um acorde. Pode pedir ao utilizador que identifique um intervalo. Mas a aprendizagem só acontece verdadeiramente quando essas respostas deixam de ser exercícios isolados e começam a influenciar a forma como o músico ouve, toca, compõe ou improvisa.

É uma ambição mais difícil do que simplesmente ensinar conceitos.

No caso do Sonid, tudo começou com alunos de guitarra. A proposta agora é mais ampla: criar uma ferramenta que acompanhe músicos na construção de uma base teórica estruturada e que possa também ser integrada no trabalho de professores e escolas.

No fundo, a questão que permanece é bastante simples: quando fechamos a aplicação, aquilo que aprendemos continua connosco?

É aí que qualquer ferramenta de aprendizagem musical tem de ser verdadeiramente avaliada.

Mafalda Matos

Mafalda Matos é jornalista no Música Total, onde assina sobretudo peças sobre [novidades musicais / entrevistas / cultura regional]. Com [10 anos] ligada ao jornalismo cultural, tem acompanhado de perto [festivais, lançamentos nacionais, etc.] e é uma das vozes mais regulares do Radar Nacional e da secção de Entrevistas do site.

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