Não é só uma compilação de nomes fortes. É um gesto coletivo num tempo que parece permanentemente à beira de qualquer coisa maior. A nova edição chega a 6 de março e carrega um peso que não é apenas simbólico.

Credit-Nora-Nishevci
No meio desse alinhamento impressionante, surge “Let’s Do It Again!”, o novo tema de The Last Dinner Party, lançado pela War Child Records. A canção encaixa no espírito do projeto sem soar a encomenda. Há nervo. Há exagero. Há aquela teatralidade que a banda já transformou em marca própria.
Pop com dramatismo assumido
Gravado nos Angel Studios e produzido por James Ford com Animesh Ravel, o tema não tenta reinventar a roda. Refina-a. A produção é polida, mas deixa espaço para tensão. A voz cresce, recua, volta a crescer. Tudo parece excessivo. E é mesmo isso que funciona.
A letra fala de regressos que não fazem sentido. Relações que deviam acabar mas continuam. Um ciclo que se repete porque o impulso fala mais alto do que a razão. Não é uma ideia nova. Mas há qualquer coisa na forma como a banda a interpreta que evita o cliché. Talvez seja a convicção. Talvez seja só timing.
Um elenco que diz muito sobre o momento
“HELP(2)” junta artistas como Arctic Monkeys, Damon Albarn, Olivia Rodrigo, Pulp, Depeche Mode e Fontaines D.C.. A lista é longa. Quase esmagadora. Mas não soa a desfile de vaidades.
Grande parte do disco foi gravada numa semana intensa nos Abbey Road Studios, em novembro de 2025. Há relatos de sessões improvisadas, cruzamentos inesperados, músicos a entrarem e saírem das salas como se fosse o sítio mais natural do mundo. Talvez essa concentração temporal explique a energia crua que atravessa o projeto.
Ver através dos olhos certos
A direção criativa ficou nas mãos de Jonathan Glazer. A ideia foi simples. Entregar câmaras a crianças. Deixá-las filmar os artistas. Sem guião rígido. Sem filtros. O conceito “By Children, For Children” pode parecer slogan, mas ganha outra densidade quando percebemos que há imagens recolhidas em zonas de conflito como Ucrânia, Gaza, Iémen e Sudão.
Não é confortável. Nem era suposto ser.
“HELP(2)” posiciona-se como herdeiro direto do álbum solidário de 1995. Mas não vive de nostalgia. Vive do presente. Da urgência. Do facto de ainda haver crianças a precisar de ajuda imediata, educação, apoio psicológico, proteção básica.
“Let’s Do It Again!” encaixa nesse quadro maior quase como metáfora involuntária. Repetimos erros. Regressamos a padrões. Insistimos. Às vezes por fraqueza. Outras por esperança.
O disco sai a 6 de março. E há qualquer coisa suspensa nesta ideia de tantos artistas reunidos por uma causa concreta. Não resolve o mundo. Mas lembra que a música, de vez em quando, ainda tenta.









