Três décadas depois de nascerem em Milão, os VIII Strada regressam à sua história com Città Totale, um álbum duplo que cruza novas composições, gravações ao vivo e uma versão remasterizada do disco de estreia. Editado em 2026 pela Ma.Ra.Cash Records, o trabalho recupera também uma canção dos lendários Le Orme, numa ligação entre a herança do rock progressivo italiano e a identidade musical da banda.
O passado está presente, mas não ocupa todo o espaço. Formados em 1996, os VIII Strada continuam a procurar novos caminhos dentro de um género que vive frequentemente entre a vontade de experimentar e o peso da sua própria história.
Em Città Totale, essa relação ganha forma através de diferentes momentos do percurso do grupo. Duas novas composições, cinco gravações ao vivo, a recuperação do álbum de estreia e uma homenagem aos Le Orme compõem um disco que permite olhar para a banda a partir de várias perspetivas.
Um álbum entre as origens e o presente
O novo trabalho reúne dois temas inéditos de estúdio, «Città Totale» e «Quale primavera», a par de cinco gravações ao vivo e de uma versão remasterizada de La leggenda della grande porta, o álbum de estreia dos VIII Strada.
Esta combinação dá ao lançamento uma dimensão particular. Em vez de apresentar apenas material novo, a banda coloca o seu presente em diálogo com diferentes etapas do percurso iniciado em Milão, há três décadas.
A componente ao vivo acrescenta outra dimensão ao conjunto, embora o comunicado não esclareça se estas gravações já tinham sido editadas anteriormente. A recuperação do primeiro álbum permite, por sua vez, reencontrar o ponto de partida de uma história que continua em construção.
Le Orme e a herança progressiva italiana
Um dos momentos centrais de Città Totale é a interpretação de «Canzone d’Amore», dos Le Orme, nome incontornável da história do rock progressivo italiano.
Escolher uma canção com este peso implica mais do que recuperar uma referência. Os VIII Strada procuram aproximar-se de uma tradição musical que ajudou a definir a identidade do progressivo italiano, sem abdicar da sua própria personalidade.
A banda assume essa herança como ponto de partida, não como destino. A intenção passa por trabalhar a linguagem do género a partir do presente, explorando a composição, a dinâmica e diferentes intensidades musicais.
É uma posição que ajuda a compreender o lugar que os VIII Strada procuram ocupar: entre o respeito por uma história importante e a vontade de continuar a desenvolver uma voz própria.
Uma carreira construída também em palco
Ao longo do percurso, os VIII Strada partilharam o palco com artistas e bandas de diferentes gerações do rock progressivo, entre os quais Arena, Pain of Salvation, Tony Levin, Osanna, Biglietto per l’Inferno e David Jackson, conhecido pelo seu trabalho com os Van der Graaf Generator.
A banda desenvolveu ainda uma colaboração ao vivo de dezoito meses com Patrizio Fariselli, dos Area, outra referência fundamental da música italiana.
Mais recentemente, a 22 de maio de 2026, os VIII Strada abriram o concerto dos Banco del Mutuo Soccorso no Legend Club, em Milão. O encontro colocou a banda no mesmo cartaz que um dos nomes históricos do progressivo italiano, reforçando a ligação entre diferentes gerações do género.
Próximos concertos na Itália e na Suíça
A atividade ao vivo continua nos próximos meses, com concertos previstos em Itália e na Suíça.
Datas anunciadas:
- 16 de outubro de 2026: Prog in Vicolo, Vicolo Schilke, Vercelli, Itália
- 17 de outubro de 2026: Chupito, Bellinzona, Suíça
- 30 de outubro de 2026: Damage Inc., San Giovanni Lupatoto, Itália
- 22 de novembro de 2026: Prog-MI, Agorà, Cusano Milanino, Itália
- 27 de fevereiro de 2027: The Prog Night, Auditorium Carla Fracci, Vizzolo Predabissi, Itália
- 22 de maio de 2027: Progression Fest, Cooperativa Rinascita, Abbiategrasso, Itália
Com Città Totale, os VIII Strada reúnem diferentes capítulos da sua história num lançamento que olha para trás sem deixar de apontar para a frente. Para quem acompanha o rock progressivo italiano, o álbum oferece uma oportunidade para conhecer melhor uma banda que continua a trabalhar dentro de uma tradição rica, procurando dar-lhe continuidade através da sua própria música.
