Agosto não está a ser um mês de férias para a música. A primeira semana trouxe uma série de discos que merecem sair do ruído habitual das playlists e entrar na escuta diária, enquanto os próximos dias ainda reservam alguns lançamentos importantes. Entre pop experimental, indie rock, electrónica, folk e música de dança, existe uma coisa em comum nesta selecção: são discos que deixam alguma coisa depois da primeira audição.
Escolhemos dez trabalhos internacionais que merecem atenção em agosto de 2026. Alguns vêm de artistas que já começaram a ganhar espaço, outros são precisamente aqueles nomes que vale a pena conhecer antes de aparecerem em todo o lado.
Ravyn Lenae, Blue Island
Ravyn Lenae abre esta lista com um disco que recusa ficar quieto num único género. Blue Island, lançado a 7 de agosto, cruza pop, soul, R&B, guitarras e electrónica, mostrando uma artista cada vez mais interessada em explorar as suas próprias referências. A crítica tem destacado precisamente essa mistura, que vai dos sons pop dos anos 90 e 2000 a momentos mais próximos do rock alternativo.
O resultado é mais interessante quando Lenae abandona a ideia de fazer simplesmente mais um disco pop. Existe personalidade, risco e alguma estranheza pelo caminho.
Nota Música Total: 8,5/10
Para ouvir primeiro: “Potential”
Man/Woman/Chainsaw, Cannonball
Se existe um nome desta lista que merece mesmo a palavra “descobrir”, é Man/Woman/Chainsaw. O quinteto londrino lançou o álbum de estreia, Cannonball, a 7 de agosto. Produzido por Margo Broom e Seth Evans, o disco junta estruturas pouco convencionais, guitarras e refrões grandes sem perder a energia de uma banda que passou anos a tocar ao vivo.
É um primeiro álbum com personalidade suficiente para não parecer uma apresentação. A banda já chega com uma identidade relativamente definida e, sobretudo, com vontade de não facilitar demasiado as canções.
Nota Música Total: 9/10
Para ouvir primeiro: “Nosedive”
Hana Stretton, Tiarn
Hana Stretton é provavelmente um dos nomes menos conhecidos desta selecção e isso é precisamente uma das razões para estar aqui.
Tiarn apareceu entre os lançamentos destacados desta semana e aproxima folk, ambientes e uma escrita muito ligada à memória e à paisagem. Não é um disco que tente agarrar o ouvinte nos primeiros trinta segundos. Vai funcionando aos poucos, quase como uma fotografia que ganha detalhes quando ficamos mais tempo a olhar para ela.
É uma descoberta para quem gosta de discos silenciosos, atmosféricos e pouco preocupados com tendências imediatas.
Nota Música Total: 8/10
Overmono, Pure Devotion
Tom e Ed Russell continuam a construir um dos projectos electrónicos mais interessantes do Reino Unido. Pure Devotion, segundo álbum dos Overmono, chegou a 7 de agosto pela XL Recordings. O disco tem 11 faixas e aprofunda a mistura entre electrónica, baixos pesados, melodias e uma produção muito física.
A dupla fala de experiências pouco convencionais em estúdio, incluindo máquinas avariadas, alterações de equipamento e processos experimentais. Nem tudo precisa de ser explicado para funcionar. O que interessa é o resultado: música feita para a pista, mas com espaço suficiente para ouvir em casa.
Nota Música Total: 8,5/10
Para ouvir primeiro: “Gem Lingo (ovr now)”
Ela Minus & Nick León, Qué Les Pasó a Mis Amigos?
Aqui a escala é diferente. Em vez de um álbum convencional, Ela Minus e Nick León juntam-se num EP de três temas lançado a 7 de agosto pela Domino. Duas das faixas são cantadas integralmente em espanhol e o projecto ainda conta com remisturas de Guedra Guedra, Brenda e Loidis numa edição posterior em vinil.
É uma colaboração curta, electrónica e bastante mais interessante do que o seu tamanho poderia sugerir. Minus e León já tinham trabalhado juntos e esta nova parceria parece aproveitar precisamente essa familiaridade.
Nota Música Total: 8,5/10
Para ouvir primeiro: “Espiral”
Margaret Glaspy, I Am Both
Margaret Glaspy continua a trabalhar naquele espaço onde indie rock, folk e composição pessoal se encontram. I Am Both apareceu entre os lançamentos de 7 de agosto e merece atenção precisamente por não tentar transformar cada canção num acontecimento.
É música de proximidade. Ganha força quando a produção não ocupa todo o espaço e deixa a composição respirar.
Para quem procura uma alternativa às grandes produções pop deste verão, este pode ser um daqueles discos que cresce com o tempo.
Nota Música Total: 8/10
The Mountain Goats, Days
John Darnielle já não precisa de provar que sabe escrever canções. Mesmo assim, Days continua a ser um disco que merece atenção, sobretudo porque mantém aquela capacidade muito particular dos Mountain Goats de transformar pequenas histórias em canções com dimensão emocional.
O álbum foi lançado a 7 de agosto e aparece entre os trabalhos destacados pelos principais balanços de novidades da semana.
Não é necessariamente o disco mais imediato desta lista. É um disco para voltar.
Nota Música Total: 8/10
Para ouvir primeiro: ouvir o álbum completo, sem saltar faixas.
Ceremony, Tell Me Your Dream
Os Ceremony já não são uma novidade dentro do punk, mas Tell Me Your Dream mostra por que razão continuam relevantes. O disco chegou a 7 de agosto e foi escolhido pela Stereogum como Álbum da Semana.
A energia hardcore continua lá, mas a banda não está interessada em repetir simplesmente aquilo que já fez. Existe mais espaço para atmosferas, tensão e composição. É pesado sem depender apenas do peso.
Nota Música Total: 8,5/10
Para ouvir primeiro: “Death Destruction Mayhem”
Citizen, Halcyon Blues
Os Citizen entram nesta lista por uma razão simples: continuam a saber trabalhar a fronteira entre emo, rock alternativo e guitarras mais pesadas sem ficarem presos ao passado.
Halcyon Blues chegou também a 7 de agosto, numa semana particularmente forte para o rock alternativo.
Não é um disco que precise de inventar uma nova linguagem. O seu mérito está na forma como reorganiza elementos conhecidos e os transforma numa coisa que ainda soa actual.
Nota Música Total: 8/10
Jungle, Sunshine
Agosto ainda não acabou e os Jungle são uma das razões para esperar pelo próximo ciclo de lançamentos. Sunshine, quinto álbum do grupo britânico, está marcado para 14 de agosto.
A banda chega aqui depois do enorme impacto de Volcano e de “Back on 74”, mas o novo disco parece interessado em seguir em frente. Os Jungle continuam a trabalhar grooves, soul, electrónica e pop, agora com Lydia Kitto plenamente integrada na formação.
É provavelmente o disco desta lista com maior potencial para acompanhar o resto do verão.
Nota Música Total: 8,5/10
Para descobrir: “Carry On”
Oito, nove, dez discos? O importante é ouvir
A graça de uma lista destas não está em decretar quais são os dez melhores discos do mês. Está em abrir portas. Blue Island pode levar-nos para um lado do pop que Ravyn Lenae ainda está a construir. Cannonball apresenta uma banda que pode crescer muito. Overmono leva a electrónica para outro espaço, enquanto Hana Stretton pede uma escuta mais calma.
Agosto ainda tem algumas semanas pela frente e a lista pode mudar. Mas estes dez discos já deixam uma certeza: quem desligar a música durante o verão está a perder demasiadas coisas.
