Sexta-feira, Fevereiro 20, 2026

Billion Dollar Babies de Alice Cooper: o teatro do excesso elevado a clássico

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Em 1973, quando Billion Dollar Babies chegou às lojas, o shock rock deixava de ser provocação marginal para se tornar fenómeno global. A Alice Cooper Band já vinha a subir de patamar com School’s Out, mas foi aqui que a teatralidade, o sarcasmo e a produção grandiosa atingiram escala máxima. O disco não apenas consolidou uma estética. Transformou-a em produto cultural de massas.

 

Gravado maioritariamente em Connecticut e produzido por Bob Ezrin, o álbum equilibra espetáculo e precisão musical. Por trás da maquilhagem, das cobras e da encenação decadente, existia uma banda coesa e disciplinada.

Produção luxuosa e ambição sonora

Ezrin trouxe dimensão quase cinematográfica às gravações. Arranjos mais densos, coros bem construídos e uma abordagem técnica mais refinada afastaram o grupo da crueza inicial. O som é grande, direto e calculado para impacto imediato.

Há um contraste interessante entre a imagem pública de caos e a construção meticulosa das faixas. Guitarras afiadas, secção rítmica sólida e refrões desenhados para arenas revelam controlo artístico por trás do choque visual.

Canções que definiram uma era

“Elected” abriu caminho com ironia política num período pós-Watergate, transformando sátira em hino de palco. Já a faixa-título, “Billion Dollar Babies”, mistura sensualidade distorcida com teatralidade quase cabaret.

“No More Mr. Nice Guy” tornou-se um dos temas mais duradouros do catálogo de Alice Cooper. A canção equilibra sarcasmo e melodia acessível, mostrando que o grupo sabia escrever rock direto sem abdicar da identidade provocadora.

A embalagem como parte da obra

O disco ficou também marcado pela apresentação física. A edição original em vinil vinha numa capa que imitava carteira de luxo, com notas fictícias de mil milhões de dólares com a imagem da banda. Não era apenas marketing. Era extensão do conceito de excesso e glamour decadente.

Essa atenção ao objeto reforça uma ideia central: a Alice Cooper Band entendia o rock como experiência total. Música, imagem, narrativa e performance funcionavam como conjunto.

O auge antes da fragmentação

Billion Dollar Babies atingiu o número 1 nos Estados Unidos e no Reino Unido, tornando-se o maior sucesso comercial da banda original antes da dissolução em 1974. Pouco depois, Alice Cooper seguiria carreira a solo, mantendo o nome mas alterando a estrutura do projeto.

O álbum permanece como ponto máximo da fase clássica do grupo. Não é apenas espetáculo. É construção inteligente de persona aliada a composições sólidas.

Entre ironia, teatralidade e riffs memoráveis, Billion Dollar Babies mostra como o excesso pode ser método. E como o choque, quando bem calculado, pode tornar-se linguagem duradoura.

 

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