iNWATER revelam “In Code” e há um novo sinal vindo da eletrónica alternativa portuguesa

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A fronteira entre rock alternativo e eletrónica continua a produzir alguns dos projetos mais curiosos da nova música portuguesa, e os iNWATER parecem determinados em ocupar esse território sem grandes concessões.

 

O novo single “In Code”, com lançamento marcado para 29 de maio, surge como mais uma peça de antecipação para o álbum de estreia Wet Dreams With You e reforça a identidade visual e sonora que a banda lisboeta tem vindo a construir nos últimos tempos.

Num circuito cada vez mais saturado de fórmulas previsíveis, os iNWATER apostam numa tensão mais cinematográfica. “In Code” nasce da ideia de mensagem cifrada e transformação pessoal, mas o interessante aqui não está apenas no conceito. Está na forma como a banda usa guitarras em primeiro plano, ritmos tensos e texturas eletrónicas para criar uma sensação constante de movimento e inquietação.

Um projeto português a crescer fora das fronteiras

Os números recentes ajudam a perceber porque o nome começa a circular com mais frequência. Os últimos lançamentos da banda ultrapassaram as 250 mil visualizações no YouTube, algo que raramente acontece de forma totalmente orgânica em projetos independentes portugueses ligados ao rock alternativo.

Mais curioso ainda é o alcance internacional. Os iNWATER têm conseguido espaço em rádios, playlists e imprensa especializada em países como Estados Unidos, Reino Unido, França, Canadá, México, Espanha e Argentina. Não é um percurso comum para bandas nacionais fora do circuito pop tradicional.

Existe também uma atenção clara à componente visual. Cada lançamento parece pensado como extensão estética da música, algo que aproxima o projeto de uma linguagem mais contemporânea ligada à cultura digital e ao imaginário eletrónico.

“In Code” aponta para uma abordagem mais direta

Comparando com material anterior, “In Code” parece aproximar a banda de uma escrita mais frontal. As guitarras assumem maior protagonismo e a tensão rítmica funciona quase como motor emocional da faixa.

Ao mesmo tempo, a eletrónica continua presente sem cair na produção excessivamente polida que domina parte da pop alternativa atual. Há espaço para ruído, densidade e pequenas imperfeições que ajudam a dar personalidade ao tema.

Esse equilíbrio entre acessibilidade e atmosfera talvez seja o elemento mais interessante dos iNWATER neste momento. A banda parece confortável entre linguagens diferentes sem soar presa a uma estética demasiado fechada.

O álbum de estreia começa a ganhar forma

Wet Dreams With You continua sem revelar todos os contornos, mas “In Code” deixa perceber uma direção mais coesa e ambiciosa para o disco de estreia. A sensação é de um projeto que procura identidade própria sem tentar reproduzir fórmulas internacionais de forma óbvia.

Num panorama português onde muitas bandas alternativas continuam a ter dificuldade em ultrapassar nichos muito específicos, os iNWATER começam a mostrar sinais de crescimento consistente. Não apenas pelos números, mas pela construção gradual de linguagem visual, presença digital e capacidade de circulação fora de Portugal.

“In Code” chega no final de maio, mas a ideia de código aqui talvez funcione também como metáfora para outra coisa: uma banda ainda em processo de decifração, mas já suficientemente interessante para obrigar a prestar atenção.

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