Os thrillers vivem de perguntas e poucos começam de forma tão desconfortável como Como Matar sem Ser Apanhado. No romance de estreia de Rebecca Philipson, um homem decide contar ao mundo como conseguiu matar durante anos sem nunca ser descoberto. O problema é que ninguém sabe se está perante um assassino brilhante ou apenas um mentiroso com uma imaginação perigosa.

Editado em Portugal pela Singular, o livro chega às livrarias com uma premissa capaz de despertar curiosidade imediata. Entre humor negro e suspense psicológico, a autora britânica constrói uma história onde a verdade parece mudar de página para página.
Um livro encontrado numa cena de crime
Denver Brady afirma ser responsável por dezenas de homicídios e escreve um manual onde descreve os métodos que lhe permitiram escapar à justiça. O tom confiante e provocador transforma o texto numa leitura tão fascinante quanto perturbadora.
Quando um exemplar desse livro é encontrado junto ao corpo de Charlotte Mathers, a inspetora Hansen vê-se obrigada a investigar se as confissões de Brady são reais ou se tudo faz parte de uma fantasia macabra.
A dúvida como motor da narrativa
Grande parte da força do romance está na forma como Rebecca Philipson conduz o leitor. A autora alterna entre a investigação policial e os capítulos escritos por Denver Brady, criando uma sensação constante de incerteza.
Nada parece totalmente seguro. O homem que se apresenta como assassino pode estar a dizer a verdade. Ou talvez esteja apenas a manipular todos à sua volta. Essa ambiguidade acaba por ser uma das maiores armas do livro.
Humor negro e uma voz diferente
Apesar do tema sombrio, a autora recorre frequentemente à ironia e ao humor negro. Denver Brady não é um narrador convencional e é precisamente essa personalidade desconcertante que torna a leitura mais imprevisível.
Rebecca Philipson consegue evitar muitos dos clichés habituais do género, apostando mais na psicologia e na manipulação do que em descrições gráficas ou violência excessiva.
Uma estreia que merece atenção
Natural de County Durham, em Inglaterra, Rebecca Philipson faz aqui a sua estreia no romance. Como Matar sem Ser Apanhado revela uma autora interessada em explorar os limites entre verdade, mentira e obsessão.
Num mercado cheio de thrillers semelhantes, a originalidade da premissa e a forma como a história é construída fazem deste livro uma proposta particularmente interessante para quem gosta de mistérios, reviravoltas e narradores em quem talvez não seja boa ideia confiar demasiado.



