Antes de ser conhecida como April in Portugal, antes de atravessar fronteiras e de ganhar versões em diferentes países, “Coimbra” era apenas uma melodia sem um destino definido.
Raul Ferrão tinha-a composto em 1939. Durante vários anos procurou encontrar-lhe o lugar certo.
Só em 1947 a canção chegou finalmente ao cinema.
Entrou em Capas Negras, interpretada por Alberto Ribeiro.
A música tinha encontrado um público.
Mas ainda não imaginava até onde podia chegar.
Uma melodia portuguesa no grande ecrã
Raul Ferrão já era um nome importante da música portuguesa quando escreveu “Coimbra”.
A canção acabou por encontrar o seu primeiro grande cenário em Capas Negras, um dos filmes portugueses mais populares da época.
A história levava o público até Coimbra.
As capas negras.
Os estudantes.
A guitarra.
O ambiente universitário.
A canção encaixava naturalmente naquele universo.
Alberto Ribeiro deu-lhe voz e “Coimbra” passou a fazer parte do imaginário criado pelo filme.
Mas o verdadeiro percurso da música ainda estava por começar.
Três anos depois, uma nova voz iria mudar a escala da história.
Quando Amália levou Coimbra para fora de Portugal
Em 1950, Amália Rodrigues começou a interpretar “Coimbra perante públicos internacionais.
Foi nesse momento que a canção começou a atravessar verdadeiramente fronteiras.
O título mudou.
Em França, tornou-se Avril au Portugal.
No mundo anglo-saxónico, passou a ser conhecida como April in Portugal.
A mesma melodia começava agora a viver em diferentes idiomas.
E cada nova versão levava a canção para outro território.
Jazz.
Orquestra.
Canção popular.
Música latina.
Fado.
“Coimbra” começou a ser interpretada por músicos de universos muito diferentes.
A canção portuguesa tinha deixado de pertencer apenas a Portugal.
Quando uma cidade se transformou numa canção internacional
Parte da força de “Coimbra” está na forma como consegue transformar uma cidade numa imagem.
Não é necessário conhecer Coimbra para imaginar Coimbra.
A canção transporta uma determinada ideia de Portugal.
As capas negras.
A guitarra.
Os estudantes.
As ruas antigas.
Mas quando começou a circular pelo mundo, essa imagem deixou de ser apenas portuguesa.
Para alguns ouvintes, Coimbra tornou-se um lugar distante e romântico.
Para outros, a canção era simplesmente uma grande melodia.
Essa capacidade de mudar sem perder a identidade ajudou-a a atravessar gerações.
A melodia permanecia.
As interpretações mudavam.
E cada nova voz acrescentava outra vida à canção.
Raul Ferrão ainda teve tempo de assistir ao sucesso internacional da composição.
Uma melodia portuguesa tinha encontrado um público muito maior do que aquele que existia quando foi escrita.
A música que mudou de nome, de voz e de país
A história de “Coimbra” mostra como uma canção pode ganhar uma vida completamente diferente daquela que tinha no momento em que foi criada.
Nasceu em Portugal.
Chegou ao cinema.
Foi levada por Amália Rodrigues para outros públicos.
Mudou de nome.
Foi traduzida.
Foi reinterpretada.
E continuou a viajar.
Talvez seja essa a parte mais interessante desta história.
A música nunca ficou presa à sua primeira versão.
Cada intérprete descobriu uma forma diferente de a cantar.
E, mesmo assim, a melodia continuou reconhecível.
Raul Ferrão escreveu uma canção portuguesa.
O mundo transformou-a numa canção internacional.
Sabias que?
- A melodia de “Coimbra” foi composta em 1939.
- A canção chegou ao cinema em 1947, através do filme Capas Negras.
- Alberto Ribeiro foi um dos primeiros intérpretes associados à canção.
- Amália Rodrigues ajudou a levar “Coimbra” para um público internacional.
- A canção passou a ser conhecida no estrangeiro como Avril au Portugal e April in Portugal.
- Ao longo das décadas, foi interpretada e adaptada por músicos de diferentes países.
Ficha do Lado B
Canção: “Coimbra”
Compositor: Raul Ferrão
Ano de origem da melodia: 1939
Cinema: Capas Negras, 1947
Momento de viragem: A internacionalização através de Amália Rodrigues
O verdadeiro Lado B: uma canção portuguesa mudou de idioma, de intérprete e de país até se tornar uma das melodias portuguesas mais reconhecidas internacionalmente.
