Domingo, 26 de Julho de 2026
Escuta Obrigatória

Alexis Taylor e Mike Simonetti encontram qualquer coisa estranha em “Perfect Kiss”

Por Beatriz Ambrósio 6 Mai 2026

Nem sempre estas colaborações fazem sentido no papel. Alexis Taylor e Mike Simonetti parecem vir de salas diferentes, noites diferentes até. Um lado mais melódico, quase delicado. O outro mais gasto, mais sujo, mais virado para texturas que ficam no fundo da cabeça durante horas. E depois aparece “Perfect Kiss” e afinal resulta. Estranhamente bem.

A voz de Alexis Taylor continua ali. Reconhece-se logo. Aquela maneira meio frágil de entrar na música sem pedir licença nenhuma. Mas aqui tudo soa menos limpo do que nos Hot Chip. Menos imediato também. Mike Simonetti deixa a produção respirar, quase tropeçar às vezes. Há pequenos ruídos, espaços vazios, sintetizadores que aparecem só por segundos e desaparecem outra vez.

A música nunca explode realmente. Fica sempre a acumular qualquer coisa. Uma tensão meio cansada. Meio romântica. Como uma faixa ouvida demasiado tarde, quando já não há ninguém acordado e as luzes da rua começam a parecer um filme antigo.

Talvez seja isso que torna “Perfect Kiss” interessante. Não tenta soar grande. Não anda atrás daquele momento perfeito para TikTok ou festival. Parece só duas pessoas a tentar encontrar uma frequência comum no meio do caos eletrônico e sentimental. E honestamente? Funciona mais do que muita coisa feita para funcionar.

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Beatriz Ambrósio

Beatriz Ambrósio é jornalista e colaboradora do Música Total, dedicada à cobertura da atualidade musical nacional e internacional. Privilegia uma escrita clara, objetiva e rigorosa, acompanhando lançamentos, concertos, festivais e os principais acontecimentos da indústria da música. O seu trabalho procura informar os leitores de forma rápida e contextualizada, mantendo sempre o foco na relevância das notícias e na proximidade com quem vive a música todos os dias.