Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026
Radar Açores

Azores Burning Summer bate recorde de público e regressa em 2027

Por Mafalda Matos 16 Set 2026

Quase 6000 pessoas passaram pela Praia dos Moinhos, no Porto Formoso, durante a 12.ª edição do Azores Burning Summer. O festival alcançou a maior afluência da sua história e confirmou o regresso ao mesmo cenário nos dias 27 e 28 de agosto de 2027.

O número ganha particular dimensão num festival que construiu a sua identidade longe dos grandes centros urbanos e a partir de um território específico. Nos Moinhos, a música convive com a paisagem, a comunidade local e uma programação que procura aproximar diferentes geografias e públicos.

 

Um palco aberto a várias geografias

A programação voltou a fugir ao circuito mais previsível dos festivais de verão. O Azores Burning Summer cruzou artistas e sonoridades ligadas a Portugal, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola, Brasil, Espanha e Reino Unido, reforçando uma dimensão atlântica que está no centro do projecto.

Lura, Paulo Flores, Tabanka Djaz, Capitão Fausto, Zé Ibarra e Throes + The Shine passaram pelo Palco Terra Nostra. No Palco KIA Tropical, os DJ sets mantiveram a programação activa durante as duas noites.

Mais do que juntar nomes de origens diferentes, o festival procura criar um espaço onde essas linguagens possam coexistir perante um público também ele diversificado. É nessa mistura entre descoberta musical, encontro e lugar que o Azores Burning Summer tem vindo a encontrar uma identidade própria.

A programação não ficou, contudo, limitada aos dois dias de concertos. Durante julho e agosto, o festival desenvolveu iniciativas culturais, ambientais, educativas e de promoção da saúde, envolvendo crianças, jovens, famílias e comunidades da Ribeira Grande.

O território também faz parte do festival

Cinema da Autonomia, Cinema na Praia, VIVE – Programa Comunitário de Saúde, Letras n’Areia, Moinhos Revival e HABITAT – Crescer Sustentável foram algumas das iniciativas que prolongaram a actividade para além do recinto principal.

O HABITAT colocou particularmente em evidência a relação com o património natural dos Açores, através de actividades de literacia do oceano, contacto com projectos científicos e ambientais e uma visita à Lotaçor.

Esta dimensão ajuda a perceber a escala do projecto. O Azores Burning Summer não acontece apenas durante os dois dias em que os concertos ocupam a Praia dos Moinhos. A sua programação espalha-se pelo território e procura envolver diferentes públicos antes e durante o festival.

A edição de 2026 contou ainda com a colaboração da PDL26 – Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura, aproximando o festival de outros projectos culturais desenvolvidos na região.

Mais público, sem perder a preocupação ambiental

O crescimento da afluência colocou também à prova as medidas ambientais adoptadas pelo festival.

A organização registou uma taxa de devolução de 80% dos copos reutilizáveis, uma redução das beatas abandonadas no recinto e melhorias na separação de resíduos. Um dos dados mais relevantes surge precisamente quando se cruza o aumento do público com a produção de resíduos: apesar da maior afluência e do aumento do consumo, o volume total manteve-se ao nível da edição anterior.

A mobilidade foi outra das áreas trabalhadas pela organização. A parceria KIA Car Sharing incentivou a partilha de viaturas, enquanto os parques gratuitos e o serviço de shuttle procuraram retirar pressão automóvel da zona da Praia dos Moinhos.

Segundo a organização, a resposta do público foi significativa. Nas duas noites, cerca de 30 minutos depois do encerramento, todos os participantes que aguardavam pelo transporte já tinham regressado aos parques de estacionamento.

O Eco Market, dedicado a artesãos, produção de proximidade e ecodesign, e a Expo Veículos Eléctricos completaram esta aposta numa experiência de festival que procura integrar a sustentabilidade na própria programação.

2027 já tem encontro marcado

O recorde de quase 6000 participantes encerra uma edição particularmente significativa para o Azores Burning Summer. O crescimento acontece sem que o festival abandone os elementos que definem a sua proposta: música de diferentes geografias, ligação às comunidades, relação com o território e preocupação ambiental.

Filipe Tavares, director do Azores Burning Summer e presidente da ARTAC, sublinha precisamente essa dimensão humana quando fala da edição de 2026.

“Esta foi a edição com maior adesão de sempre, mas o que verdadeiramente nos orgulha é ver o público partir com a sensação de ter vivido algo especial”, afirma.

O responsável destaca ainda o trabalho de artistas, técnicos, produtores, equipas de segurança, parceiros, população local e festivaleiros na construção da edição.

A próxima oportunidade para repetir esse encontro já está marcada. O Azores Burning Summer regressa à Praia dos Moinhos nos dias 27 e 28 de agosto de 2027.

Depois de uma edição recorde, fica agora a expectativa sobre aquilo que o festival levará novamente até ao Porto Formoso. Por enquanto, a data está lançada e o lugar continua a ser o mesmo: junto ao mar.

Mafalda Matos

Mafalda Matos é jornalista no Música Total, onde assina sobretudo peças sobre [novidades musicais / entrevistas / cultura regional]. Com [10 anos] ligada ao jornalismo cultural, tem acompanhado de perto [festivais, lançamentos nacionais, etc.] e é uma das vozes mais regulares do Radar Nacional e da secção de Entrevistas do site.

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