Vilar de Mouros prepara cinco dias em que passado e presente vão voltar a dividir o mesmo palco. Entre 18 e 22 de agosto, o festival junta nomes com décadas de estrada a artistas que ainda estão a construir o seu espaço, mantendo uma mistura de rock, punk, indie, metal, psicadelismo e outras linguagens que continua a fazer parte da identidade do evento.
The Molotovs, Tom A. Smith, The Lilacs, The Covasettes, Sydney Ross Mitchell, Rudeboy Plays Urban Dance Squad ft. DJ DNA, MONSTRO e TRAVO são os nomes agora acrescentados ao cartaz. A lista junta-se a YUNGBLUD, Dropkick Murphys, Kasabian, Ben Harper & The Innocent Criminals, Body Count ft. Ice-T, Kaiser Chiefs, Kaleo, President, The Hives, Skindred, Cabaret Voltaire, Ugly Kid Joe, Kula Shaker, War, Lambrini Girls, Less Than Jake, Marky Ramone, Fishbone, The Lathums, Triggerfinger e Grade 2.
A edição de 2026 terá cinco dias, uma alteração que dá ao CA Vilar de Mouros espaço para apresentar um cartaz particularmente amplo. O festival decorre entre as 15h00 e as 04h00.
The Molotovs e Tom A. Smith abrem a edição
O primeiro dia coloca dois nomes da nova geração britânica no centro das atenções. The Molotovs chegam com uma reputação construída sobretudo ao vivo e com uma história invulgar para uma banda tão jovem.
O grupo já partilhou palcos com The Libertines, The Sex Pistols, Adam Ant e Blondie e recebeu também o apoio dos Green Day. Depois de um período de concertos, festivais e uma digressão europeia com os iDKHOW, a passagem por Vilar de Mouros acontece num momento em que a banda procura dar mais um passo na sua afirmação internacional.
Tom A. Smith segue uma trajectória igualmente precoce. Começou a tocar guitarra aos quatro anos e, aos 22, já passou por festivais como Glastonbury e Leeds. Pelo caminho, dividiu palco com Sam Fender, Elton John, Miles Kane e Catfish and the Bottlemen.
A música não é a única área em que Smith se tem destacado. O artista integra o elenco de Ebony McQueen, onde interpreta Dave Stewart, dos Eurythmics. Em Vilar de Mouros, a atenção estará naturalmente concentrada nas canções e na presença em palco de um dos nomes mais jovens deste cartaz.
O indie britânico chega em força a 20 de agosto
O terceiro dia recebe The Lilacs e The Covasettes, duas bandas britânicas que representam uma geração formada entre salas pequenas, festivais e uma relação muito directa com o público.
Vindos de Wigan, os The Lilacs passaram dos circuitos locais para salas maiores, incluindo a O2 Ritz, em Manchester, e festivais como o Isle of Wight. A banda soma milhões de reproduções nas plataformas digitais e conta com o apoio de rádios como a Radio X e a BBC Radio 1.
A passagem por Vilar de Mouros acontece durante a maior digressão da carreira do grupo, com o EP The 395 (To Forever) a marcar esta nova etapa.
Os The Covasettes, formados em Manchester, chegam com uma trajectória semelhante. Concertos esgotados, milhões de reproduções e presenças em festivais como Truck, Tramlines e Y Not ajudaram a colocar o grupo no circuito indie britânico.
A banda já partilhou palco com The Sherlocks e Sundara Karma e chega a Portugal com uma sonoridade construída à volta de melodias imediatas, letras emotivas e uma forte componente ao vivo.
É uma escolha que diz bastante sobre o cartaz deste ano. Vilar de Mouros não está apenas a apostar em nomes que já chegam com um público consolidado. Também está a abrir espaço para bandas que ainda estão a crescer.
Sydney Ross Mitchell e MONSTRO mudam o tom
O quarto dia, 21 de agosto, introduz uma mudança de ambiente com Sydney Ross Mitchell. A cantora e compositora norte-americana cruza referências country com uma abordagem contemporânea e mais intimista.
Depois de passar pelo Texas, Nashville e Los Angeles, Mitchell começou a ganhar atenção através das suas canções e do EP de estreia, Pure Bliss Forever. O trabalho seguinte, Cynthia, prolongou esse percurso e reforçou a sua posição entre os novos nomes da música norte-americana.
Também neste dia actua MONSTRO, projecto português formado por Gonçalo Ferreira e Isaac Oliveira. A dupla trabalha uma sonoridade onde o pop rock dos anos 60 encontra psicadelismo, harmonias e uma certa instabilidade emocional.
O álbum de estreia, Unborn Love, será apresentado em Vilar de Mouros. É uma presença importante dentro do cartaz porque representa uma proposta portuguesa que não tenta esconder as suas referências, mas também não fica presa a elas.
E depois existe o último dia, onde o festival guarda uma das propostas mais curiosas desta actualização.
Rudeboy recupera Urban Dance Squad e TRAVO levam o psicadelismo ao fim
Rudeboy Plays Urban Dance Squad ft. DJ DNA recupera o repertório dos Urban Dance Squad, banda neerlandesa que ajudou a aproximar rock, rap e funk alternativo numa altura em que essas fronteiras ainda não eram tão comuns.
Rudeboy apresenta temas dos cinco álbuns da banda ao lado de DJ DNA, também membro fundador do projecto. Depois de uma digressão por vários países europeus, este concerto em Vilar de Mouros recupera uma parte importante da história da banda e coloca-a perante uma nova geração de espectadores.
No mesmo dia actuam os TRAVO. O quarteto formado por músicos de Braga e do Porto leva ao festival uma das propostas mais pesadas e psicadélicas do cartaz.
Desde Sinking Creation, editado em 2022, os TRAVO têm construído uma reputação muito ligada aos concertos. Psych, garage, prog-rock e thrash metal aparecem misturados numa música que dificilmente cabe numa só categoria.
O mais recente Astromorph God levou essa identidade para outro território e teve também edição internacional através da Spinda Records. Em Vilar de Mouros, a banda portuguesa aparece ao lado de nomes internacionais sem precisar de funcionar como simples representação nacional. Os TRAVO chegam com uma identidade própria e com um repertório pensado para o palco.
No conjunto, estes novos nomes ajudam a perceber melhor o desenho da edição de 2026. O festival continua a olhar para a história, mas não parece interessado em viver apenas dela. Coloca bandas jovens ao lado de artistas veteranos, recupera nomes fundamentais de outras épocas e mantém espaço para propostas portuguesas.
É uma combinação particularmente adequada a Vilar de Mouros.
A edição decorre de 18 a 22 de agosto de 2026, em Vilar de Mouros, Caminha. Os bilhetes diários custam 55 euros, enquanto os passes de quatro e cinco dias têm preços de 130 e 160 euros. Os passes incluem acesso ao campismo, mediante a capacidade disponível, e existe ainda um bilhete diário de campismo por 5 euros, adquirido localmente.
Os horários detalhados dos concertos devem ser confirmados através dos canais oficiais do festival. As plataformas de bilhética confirmam actualmente a abertura de portas às 15h00 e o funcionamento do recinto entre as 15h00 e as 04h00.
O CA Vilar de Mouros chega assim a agosto com cinco dias para contar várias histórias ao mesmo tempo. Algumas já conhecidas, outras ainda a começar.
E talvez seja essa a melhor maneira de perceber porque continua a fazer sentido voltar a Vilar de Mouros.
