Quinta-feira, 27 de Agosto de 2026
Radar Nacional

Cara de Espelho levam “B” ao Montijo antes da Festa do Avante!

Por Mafalda Matos 27 Ago 2026

Os Cara de Espelho chegam ao fim do verão com duas datas que colocam “B”, o segundo álbum da banda, em contextos muito diferentes. A 29 de agosto, o grupo actua no Largo da Igreja de Santo Isidro de Pegões, no Montijo, num concerto ao ar livre e de entrada gratuita. Uma semana depois, a 5 de setembro, regressa à Quinta da Atalaia para tocar na Festa do Avante!, no Auditório 1.º de Maio, às 21h15.

Entre uma praça e um dos grandes encontros culturais do país, a banda leva consigo um repertório que já não precisa de apresentação. “B” aprofundou a linguagem dos Cara de Espelho e deixou mais claro aquilo que distingue o grupo: canções construídas a partir da música portuguesa, mas sem qualquer vontade de ficar presa a uma ideia confortável de tradição.

“B” é mais do que uma continuação

 

 

 

O segundo álbum, editado em janeiro de 2026, parte do caminho aberto pelo disco homónimo de 2024. A diferença está na confiança. Os Cara de Espelho já conhecem melhor os espaços onde querem mexer e “B” permite-lhes explorar essas zonas com mais liberdade.

A música tradicional continua presente, mas aparece cruzada com guitarras, electrónica, percussão e arranjos que deixam espaço para a estranheza. As canções também não escondem a componente crítica. Existe ironia, humor e comentário social, mas sem transformar cada tema numa declaração de intenções.

É aí que “B” ganha interesse. O grupo não tenta modernizar uma tradição como se estivesse a actualizar um objecto antigo. Usa-a como matéria-prima para falar do presente.

No Montijo, a entrada é livre

A primeira paragem acontece a 29 de agosto, às 22h00, no Largo da Igreja de Santo Isidro de Pegões. O concerto integra o ciclo “Ao Lado”, com programação da Mascarenhas-Martins, e tem entrada gratuita.

O contexto é particularmente interessante para uma banda como os Cara de Espelho. Num espaço exterior e fora do circuito habitual das grandes salas, as canções encontram outra relação com o público. O concerto torna-se menos uma apresentação formal e mais um encontro.

Antes dos Cara de Espelho, a noite conta ainda com a actuação de Sílvio Rosado. A programação começa às 21h00 e prolonga-se depois com o colectivo formado por Carlos Guerreiro, Luís J. Martins, Maria Antónia Mendes, Nuno Prata, Pedro da Silva Martins e Sérgio Nascimento.

Uma semana depois, a escala muda

A 5 de setembro, os Cara de Espelho atravessam para outro cenário. O concerto na Festa do Avante! acontece às 21h15, no Auditório 1.º de Maio, na Quinta da Atalaia.

É uma actuação com outro enquadramento e outro tipo de público. Depois de uma sequência de concertos que levou o grupo por diferentes festivais e palcos nacionais, a banda chega à Atalaia com um segundo álbum já integrado no seu percurso.

O contraste com Pegões interessa precisamente por isso. As mesmas canções podem respirar de maneira diferente quando mudam o espaço, a dimensão do palco e a relação com quem está a ouvir. Para os Cara de Espelho, esta passagem entre contextos faz parte da própria natureza do projecto.

A banda já deixou de ser uma promessa

Quando os Cara de Espelho apareceram em 2024, havia naturalmente uma curiosidade em torno de uma formação que reunia músicos com percursos ligados a nomes como Gaiteiros de Lisboa, Deolinda, A Naifa, Ornatos Violeta e Sérgio Godinho.

Depois vieram os concertos no FNAC Live, Festival MED, FMM Sines, Bons Sons e MEO Kalorama, duas nomeações para os Iberian Festival Awards, o prémio de Melhor Banda nos Futurawards e o Prémio PLAY para Melhor Reinterpretação da Música Tradicional.

Mas o percurso deixou de ser a principal notícia. O segundo álbum mudou esse ponto de equilíbrio. Com “B”, os Cara de Espelho passaram a ser avaliados menos pelo potencial e mais pelo que conseguem fazer com a linguagem que escolheram.

Montijo e Festa do Avante! chegam, por isso, num momento interessante. São duas noites muito diferentes para uma banda que já encontrou o seu território e que agora pode concentrar-se numa coisa mais difícil: continuar a mexer nele.

Mafalda Matos

Mafalda Matos é jornalista no Música Total, onde assina sobretudo peças sobre [novidades musicais / entrevistas / cultura regional]. Com [10 anos] ligada ao jornalismo cultural, tem acompanhado de perto [festivais, lançamentos nacionais, etc.] e é uma das vozes mais regulares do Radar Nacional e da secção de Entrevistas do site.

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