Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026
Editorial

“Chão” leva Fado, Cante Alentejano e tradições de Braga e dos Açores ao Coliseu Micaelense

Por Mafalda Matos 23 Set 2026

No palco, o território ganha a forma de um semicírculo. É nesse espaço que Fado, Cante Alentejano, tradições minhotas e expressões musicais dos Açores se encontram em Chão, espetáculo que chega ao Coliseu Micaelense, em Ponta Delgada, a 8 de outubro, às 21h30.

A criação aproxima três cidades em momentos diferentes do calendário cultural: Braga, que foi Capital Portuguesa da Cultura em 2025, Ponta Delgada, que assume o título em 2026, e Évora, que será Capital Europeia da Cultura em 2027. Depois de passar por Braga, Chão chega agora aos Açores para continuar esse percurso entre territórios e tradições.

No centro do espetáculo estão dois patrimónios imateriais classificados pela UNESCO, o Fado e o Cante Alentejano, colocados em diálogo com manifestações culturais de outras regiões. De um lado, o Alentejo e o Fado. Do outro, o Minho e os Açores. Diferentes geografias, formas de cantar e modos de transmitir uma memória que o espetáculo procura colocar no mesmo espaço.

O que cabe dentro de um semicírculo

A imagem do palco é também uma das chaves de Chão. Intérpretes, músicos e diferentes representações dos territórios encontram-se em torno de um semicírculo, criando um espaço comum onde as tradições deixam de aparecer isoladas.

A narrativa é acompanhada por um texto original dedicado ao património cultural e por uma figura feminina projectada em cena. Essa mulher funciona como uma presença simbólica entre diferentes tempos, lugares e comunidades, conduzindo uma história que olha para a cultura como algo que se recebe, se transforma e se transmite.

A terra aparece aqui não apenas como lugar físico, mas como ponto de partida. É o chão onde se nasce, onde se guardam memórias e onde diferentes gerações deixam marcas.

De Braga a Ponta Delgada

Chão foi apresentado em Braga no âmbito de Braga 25 – Capital Portuguesa da Cultura. Agora chega a Ponta Delgada, onde encontra uma cidade que vive também o seu próprio ano de programação cultural.

A passagem entre as duas cidades dá ao espetáculo uma dimensão particularmente açoriana nesta apresentação. As tradições dos arquipélagos entram no diálogo com manifestações culturais de outras regiões portuguesas, sem deixarem de ser aquilo que são.

Évora surge já no horizonte deste percurso, como Capital Europeia da Cultura em 2027. As três cidades não ocupam o mesmo lugar neste calendário, nem têm a mesma história cultural, mas Chão coloca-as dentro de uma mesma narrativa sobre património, território e memória colectiva.

Mais do que reunir referências diferentes num mesmo programa, o espectáculo procura perceber o que acontece quando essas referências se encontram.

E talvez seja essa a imagem que fica: diferentes vozes reunidas à volta de um mesmo espaço, cada uma trazendo consigo o lugar de onde vem.

Serviço

“Chão”
8 de outubro de 2026, 21h30
Coliseu Micaelense, Ponta Delgada

Espetáculo recomendado para maiores de 6 anos.

Entrada gratuita.

Os bilhetes estarão disponíveis para levantamento a partir de 24 de setembro.

Mafalda Matos

Mafalda Matos é jornalista no Música Total, onde assina sobretudo peças sobre [novidades musicais / entrevistas / cultura regional]. Com [10 anos] ligada ao jornalismo cultural, tem acompanhado de perto [festivais, lançamentos nacionais, etc.] e é uma das vozes mais regulares do Radar Nacional e da secção de Entrevistas do site.

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