Sábado, 1 de Agosto de 2026
Editorial

Chico César celebra 30 anos de “Aos Vivos” em Ponta Delgada

Por Beatriz Ambrósio 11 Mar 2026

Um dos discos mais singulares da música popular brasileira regressa agora ao palco com o próprio criador.

Gravado em 1995 num formato simples, apenas voz e violão, “Aos Vivos” revelou um compositor com identidade própria e abriu caminho para uma carreira que atravessou gerações.

Trinta anos depois, Chico César revisita esse álbum numa digressão comemorativa que passa por Ponta Delgada. O concerto está marcado para 14 de março, às 21h30, e promete um reencontro íntimo com canções que marcaram profundamente o repertório da música brasileira contemporânea.

Um início improvável que se tornou clássico

Quando surgiu em maio de 1995, “Aos Vivos” não seguia a lógica habitual da indústria musical. Em vez de um álbum de estúdio cuidadosamente produzido, Chico César apresentou um registo cru e direto, captado ao vivo apenas com voz e violão.

A aposta revelou-se certeira. O disco conquistou rapidamente crítica e público, transformando-se numa referência da música brasileira dos anos 90. Canções como “Mama África” e “À Primeira Vista” ganharam dimensão popular e continuam até hoje a fazer parte da memória coletiva.

Canções que atravessaram gerações

A digressão comemorativa recupera o espírito desse primeiro registo. O alinhamento inclui temas fundamentais do disco, começando com “Beradêro”, o aboio que abre o álbum e que se tornou um dos momentos mais emblemáticos da carreira do artista.

Ao longo do concerto surgem também outras composições marcantes como “Saharienne”, “Mulher Eu Sei” e vários clássicos do repertório de Chico César. O formato mantém a proximidade original, privilegiando a palavra e a força das melodias.

Uma noite especial nos Açores

A passagem por Ponta Delgada insere-se nesta celebração de três décadas de um disco que continua a soar atual. A simplicidade do formato revela a essência das canções e aproxima o público da escrita sensível que sempre caracterizou o compositor paraibano.

Trinta anos depois, “Aos Vivos” mantém a mesma frescura e intensidade. E quando essas músicas regressam ao palco, voltam também as histórias, as emoções e o encontro direto entre artista e público.

Um regresso às origens da canção

Mais do que uma celebração nostálgica, este concerto funciona como um reencontro com a essência da canção popular. Voz, violão e histórias que continuam a encontrar eco em diferentes gerações.

Em Ponta Delgada, a noite promete ser precisamente isso. Um momento raro em que um disco histórico volta a respirar diante do público, como se tivesse sido gravado ontem.

Beatriz Ambrósio

Beatriz Ambrósio é jornalista e colaboradora do Música Total, dedicada à cobertura da atualidade musical nacional e internacional. Privilegia uma escrita clara, objetiva e rigorosa, acompanhando lançamentos, concertos, festivais e os principais acontecimentos da indústria da música. O seu trabalho procura informar os leitores de forma rápida e contextualizada, mantendo sempre o foco na relevância das notícias e na proximidade com quem vive a música todos os dias.

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