Sexta-feira, 24 de Julho de 2026
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Death Rattle preparam novo álbum e prometem elevar o groove metal a outro nível

Por Jorge Silva Medeiros 24 Jul 2026

Os norte-americanos Death Rattle estão prontos para iniciar um novo capítulo da sua carreira. Depois do impacto deixado por Volition, álbum que lhes abriu portas para uma crescente projeção internacional, a banda prepara-se para regressar com um novo trabalho de estúdio que promete consolidar a identidade construída ao longo da última década.

Oriundos da Nova Inglaterra, uma região que há muito ocupa um lugar de destaque na história do metal norte-americano, os Death Rattle conseguiram afirmar-se num cenário particularmente competitivo. Enquanto muitas bandas acabam por se perder entre influências demasiado evidentes, o quarteto encontrou uma personalidade própria ao cruzar groove metal, melodias marcantes e uma abordagem lírica que explora o abuso de poder, a violência humana e os conflitos interiores.

Um percurso construído na estrada

Desde a edição de Volition, os Death Rattle não abrandaram o ritmo. A banda percorreu os Estados Unidos e levou a sua música a vários países, conquistando novos públicos através de atuações intensas e de uma presença em palco difícil de ignorar.

O álbum foi recebido de forma muito positiva pela imprensa especializada, mas também pelo público, refletindo-se no crescimento das reproduções nas plataformas digitais. Esse reconhecimento confirmou que o grupo tinha deixado de ser apenas mais uma promessa da cena underground para passar a integrar a lista de bandas a acompanhar com atenção.

Esse crescimento também resultou da química entre Ryan Vanderwolk na guitarra, Chris Morin na bateria e Trey Holton na voz, núcleo que acabou por assumir definitivamente a identidade criativa do projeto.

A pandemia mudou tudo

Tal como aconteceu com milhares de músicos em todo o mundo, a pandemia interrompeu a dinâmica dos Death Rattle. O encerramento das salas de espetáculo e o desaparecimento das digressões obrigaram a banda a parar.

No entanto, esse período acabou por transformar-se numa oportunidade criativa. Depois da saída do baixista Kevin Adams, o grupo continuou a trabalhar com o músico de sessão Rod Lopez enquanto desenvolvia novas composições.

O isolamento, a ansiedade e a incerteza tornaram-se matéria-prima para um conjunto de temas que pretende retratar emocionalmente um dos períodos mais difíceis da história recente. Em vez de procurar repetir a fórmula de sucesso de Volition, os Death Rattle decidiram aprofundar a sua identidade artística.

Segundo Trey Holton, foi precisamente neste álbum que a banda encontrou finalmente a sua verdadeira voz.

Produção de luxo para um novo começo

Para transformar essa visão em realidade, os Death Rattle recorreram ao engenheiro Kevin Billingslea, dos Halo Studios, e ao reconhecido produtor Jens Bogren, responsável por trabalhos com algumas das maiores referências do metal europeu.

A expectativa é elevada. O novo disco deverá manter o peso dos riffs que caracterizam a banda, mas introduzir uma componente melódica ainda mais desenvolvida, equilibrando agressividade e emoção de forma natural.

As letras continuam centradas nas fragilidades humanas, explorando sentimentos como o medo, a solidão, a esperança e a capacidade de resistência perante a adversidade.

É precisamente essa combinação entre intensidade sonora e profundidade emocional que distingue os Death Rattle de muitos dos seus contemporâneos.

Uma banda pronta para dar o salto

Nem todas as bandas conseguem transformar as dificuldades em combustível criativo. Os Death Rattle parecem ter conseguido fazê-lo.

O novo álbum nasce depois de anos marcados por mudanças internas, cancelamentos de concertos e um mundo praticamente parado. Em vez de regressarem apenas com mais um disco pesado, apresentam um trabalho que pretende refletir emoções reais e experiências vividas.

Se esse objetivo se confirmar quando o álbum chegar ao público, os Death Rattle poderão finalmente dar o salto definitivo para um patamar superior dentro do groove metal contemporâneo.

Há bandas que vivem de repetir fórmulas. Os Death Rattle escolheram um caminho mais arriscado: evoluir sem perder a agressividade que os trouxe até aqui. É precisamente essa vontade de crescer que poderá transformar este novo capítulo no mais importante da carreira.

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Jorge Silva Medeiros

Jorge Silva Medeiros é técnico de som na RTP e fundador do Música Total, um dos projetos editoriais dedicados à música com maior longevidade em Portugal. Ligado ao setor da comunicação e da música há mais de duas décadas, criou também a Rádio Atlântida e tem desenvolvido um trabalho contínuo na divulgação da música portuguesa, dos artistas emergentes e dos grandes eventos culturais.