Num momento em que o Musicatotal entra numa nova fase estrutural, com mudança de visual, reforço tecnológico e ambição internacional, faz sentido ouvir quem está por trás da coordenação geral do projeto. Jorge Silva Medeiros acompanha o crescimento do site desde a sua base e é uma das vozes centrais na definição da estratégia editorial e cultural.
Nesta entrevista, fala sobre o nascimento do projeto, os desafios enfrentados, a importância do Mapa Açores, a nova aposta na edição diária internacional e a visão para o futuro da plataforma.

O que representou o nascimento do Musicatotal para ti?
O início foi quase um ato de resistência. Havia muita informação dispersa e pouca análise com identidade própria. O projeto nasceu da necessidade de criar um espaço onde a música fosse tratada com respeito crítico, não apenas como consumo rápido. No começo havia poucos meios, mas uma convicção muito clara sobre o que queria construir.
2. Quais foram os momentos mais desafiantes ao longo do percurso?
Manter consistência foi o maior desafio. Publicar com regularidade, garantir qualidade e não ceder ao imediatismo fácil. Houve fases exigentes, sobretudo na gestão de tempo e recursos, mas a certeza de que o projeto tinha relevância ajudou a manter o foco. Crescer sem perder identidade sempre foi a prioridade.
3. O que define o Musicatotal hoje?
Hoje é uma plataforma mais estruturada, mais consciente do seu valor no mercado e com uma linha editorial afirmada. Já não é apenas um site de artigos. É um espaço cultural com comunidade, visão estratégica e ambição internacional. A base continua a ser a música, mas com leitura crítica e contextualização.
4. A recente mudança de visual marca uma nova fase. O que motivou essa decisão?
O crescimento trouxe responsabilidade. Era evidente que a estrutura precisava de acompanhar o reconhecimento conquistado. A nova imagem aproxima o projeto de uma grande plataforma digital e cria condições para maior interatividade, subscrições, apoio direto e conteúdos exclusivos. Foi uma decisão estratégica, não apenas estética.
5. Qual é o papel do Mapa Açores nesta nova etapa?
O Mapa Açores torna-se central. Não é apenas uma secção regional. É um espaço de descoberta e afirmação. A música feita nas ilhas precisa de arriscar mais, explorar territórios indie e alternativos e assumir diferenciação estética. O objetivo é incentivar reinvenção e ambição cultural.
6. A aposta na edição diária internacional altera a identidade do projeto?
Não altera. Complementa. Ao publicar resumos diários com base em fontes internacionais reconhecidas, cria-se um posto de observação global. Isso permite contextualizar a produção local dentro de um panorama mais amplo. Informação sintetizada, citada e organizada com rigor.
7. Como imaginas o futuro do Musicatotal?
Vejo expansão sustentada. Mais comunidade, mais participação dos leitores, maior impacto cultural. O desafio será continuar a crescer sem perder independência nem clareza editorial. O futuro passa por consolidar a plataforma como referência crítica, tanto nos Açores como fora deles.
