Sábado, 3 de Outubro de 2026
Editorial

Michael Kiwanuka muda o processo e abre uma nova fase com FUDGE

Por Jorge Silva Medeiros 3 Out 2026

Um disco gravado no início de 2025 ficou quase um ano à espera de sair. FUDGE, o novo trabalho de Michael Kiwanuka, chega depois de um período em que o músico enfrentou problemas de saúde e foi partilhando parte desse percurso com os seus fãs através das redes sociais.

O álbum acabou por nascer num momento de mudança. Não apenas pelas circunstâncias que acompanharam o seu lançamento, mas sobretudo pela forma como Kiwanuka decidiu trabalhar. Pela primeira vez desde Home Again, o seu álbum de estreia de 2012, assumiu directamente a produção do disco, afastando-se do método habitual de trabalho com Danger Mouse e Inflo.

Tudo começou num estúdio improvisado

As primeiras gravações de FUDGE aconteceram num espaço improvisado em Southampton, transformado pelo próprio músico num estúdio.

É uma imagem que ajuda a perceber a mudança. Em vez de partir de uma estrutura de produção já conhecida, Kiwanuka começou por construir o próprio espaço onde iria trabalhar as novas canções.

Esse processo permitiu-lhe acompanhar mais de perto cada etapa das gravações e assumir uma posição diferente daquela que tinha ocupado nos trabalhos anteriores.

 

 

Dom Monks ajudou a levar as canções mais longe

Depois das primeiras sessões em Southampton, Michael Kiwanuka levou as gravações até Dom Monks, em Frome.

O produtor, conhecido pelo trabalho com Laura Marling e Big Thief, entrou assim numa fase posterior do processo, ajudando a desenvolver o material que tinha começado a ser construído por Kiwanuka.

A mudança de método não significou, contudo, um corte total com o passado. Algumas das relações musicais que acompanharam o percurso do músico continuam presentes neste novo trabalho.

Rosie Danvers regressa às cordas

Entre essas colaborações está Rosie Danvers, que voltou a trabalhar com Kiwanuka na construção das partes de cordas de FUDGE.

A presença de Danvers estabelece uma ligação com o universo sonoro que o músico foi desenvolvendo ao longo da carreira, enquanto a produção assumida pelo próprio Kiwanuka aponta para uma nova forma de organizar esse universo.

É precisamente nessa combinação entre continuidade e mudança que o novo álbum encontra o seu ponto de partida.

FUDGE chega depois de uma longa espera

A história de FUDGE não termina nas gravações. O álbum, concluído depois desse processo, ficou adiado durante quase doze meses enquanto Michael Kiwanuka lidava com problemas de saúde.

O tempo entretanto passado entre a gravação e o lançamento dá ao disco uma história própria antes mesmo de chegar aos ouvintes. Foi feito no início de 2025, mas chega agora depois de uma alteração importante na forma como o músico se colocou dentro do processo criativo.

Desde Home Again, em 2012, muita coisa mudou no percurso de Michael Kiwanuka. FUDGE acrescenta agora outra mudança: o artista passou para o centro da produção, construiu parte do caminho a partir de um espaço improvisado e voltou a rodear-se de colaboradores com quem já existe uma história musical.

O resultado começa, assim, antes da primeira audição. Começa na maneira como estas canções foram feitas.

Jorge Silva Medeiros

Jorge Silva Medeiros é técnico de som na RTP e fundador do Música Total, um dos projetos editoriais dedicados à música com maior longevidade em Portugal, dentro da plataformas. Ligado ao setor da comunicação e da música há mais de duas décadas, criou também a Rádio Atlântida e tem desenvolvido um trabalho contínuo na divulgação da música portuguesa, dos artistas emergentes e dos grandes eventos culturais, assim como produção de eventos.

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